Fitch está "confortável" com solvência de bancos brasileiros

terça-feira, 14 de outubro de 2008 12:41 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA, 14 de outubro (Reuters) - A agência de classificação de risco Fitch afirmou estar "confortável, no curto prazo", com a situação dos bancos brasileiros de pequeno e médio portes --os mais afetados pela recente redução da liquidez-- e que não antevê problemas de solvência para essas instituições.

"A agência se sente confortável, no curto prazo, no sentido de que as autoridades brasileiras implementaram uma efetiva 'rede de proteção', que dará suporte à liquidez, de tal forma que não é esperado que um banco não honre suas obrigações financeiras, nas próximas semanas", avaliou a Fitch em relatório nesta terça-feira.

A agência destacou que, ao contrário do que ocorre atualmente em mercados mais desenvolvidos, a avaliação dos ativos dos bancos brasileiros não está em questão, o que facilita a adoção de medidas para restaurar a liquidez.

Muitos bancos brasileiros de pequeno e médio portes já tomaram a iniciativa de suspender planos "agressivos" de crescimento quando a crise começou a atingir os mercados domésticos e negociaram a cessão de carteiras de crédito a bancos maiores, tanto públicos como privados, acrescentou a Fitch.

Para a agência, as medidas adotadas pelo Banco Central e o governo diante do agravamento da turbulência contribuíram para o enfrentamento dos problemas, à medida que indicaram que as autoridades estão dispostas e têm capacidade de reagir aos efeitos negativos da crise sobre a economia brasileira.

"Claramente, as medidas que estão sendo determinadas pelos bancos para priorizar a liquidez implicam custos significativamente altos e traduzem o desdobramento da significativa expansão do crédito e dos ativos nos últimos anos", ponderou.

"Os ratings da Fitch estarão focados nos fundamentos dos bancos avaliados, em um horizonte de rating mais em linha com a relativa situação creditícia, a médio e longo prazos, e não apenas na avaliação da volatilidade dos eventos atuais."

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