October 14, 2008 / 7:49 PM / 9 years ago

ATUALIZA-Com Votorantim, Amyris visará distribuir diesel de cana

6 Min, DE LEITURA

(Texto reescrito e atualizado com mais informações e declarações)

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 14 de outubro (Reuters) - Com um aporte de capital da Votorantim Novos Negócios, a norte-americana Amyris, empresa que detém a tecnologia de transformar o caldo da cana-de-açúcar em diesel, reforça sua atuação no Brasil e já vislumbra participar no país do segmento de distribuição do futuro combustível.

A Amyris, que vê na cana a melhor matéria-prima para o desenvolvimento de uma nova rota tecnológica para a produção de combustíveis renováveis, já tem parceria com as brasileiras Crystalsev e Santaelisa Vale para iniciar a fabricação do diesel e busca novas usinas para expandir sua atuação.

"No Brasil, muitas empresas fazem etanol, mas poucos produtores levam o produto ao mercado final. Não estamos interessados em postos, o que temos interesse é na distribuição", afirmou, durante o anúncio do negócio com a Votorantim, o presidente-executivo da Amyris, John Melo.

Segundo o executivo, que traz no currículo a experiência de ter atuado em distribuição na petrolífera BP (BP.L) nos Estados Unidos, a Amyris, que nasceu como uma empresa de biotecnologia, buscará "tirar proveito" de todas as possibilidades de negócios nesse novo setor.

A empresa, que contou inicialmente com investimentos da Fundação Bill & Melinda Gates para o desenvolvimento da artemisinina sintética --utilizada no combate à malária--, a qual também pode ser feita a partir da cana, prevê a produção inicial de diesel, em 2011, de 400 milhões de litros.

Depois, disse Melo a jornalistas, esse volume será expandido, em 2012, para 1 bilhão de litros --o Brasil consome 45 bilhões de litros de diesel/ano.

A tecnologia desenvolvida pela Amyris permite a produção de diesel a partir da fermentação da sacarose presente na cana, utilizando praticamente a mesma infra-estrutura usada na produção do etanol.

A produção do diesel de cana poderá ser feita no mesmo tanque da usina onde hoje é realizada a fermentação da chamada "garapa" para a produção de etanol.

A diferença é que, em vez de se colocar a levedura Saccharomyces, um outro fermento semelhante, mas modificado geneticamente, será utilizado, resultando num combustível com as mesmas características daquele com origem fóssil.

Por ser transgênico, o novo Saccharomyces ainda terá que ser aprovado pela CTNBio, o órgão que trata de biossegurança no Brasil.

Uma vantagem da produção do diesel de cana em relação à do etanol, entretanto, é que o primeiro combustível não precisa ser destilado, diferentemente do álcool, o que permitirá economia de energia no processo, segundo a Amyris.

As empresas envolvidas também já realizam testes, no Brasil e no exterior, para a utilização do diesel nos veículos, e deverão pedir a aprovação do combustível na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em 2009.

QUEROSENE DE AVIAÇÃO

Com o acordo, Fernando Reinach, diretor-executivo da Votorantim Novos Negócios, braço de venture capital e private equity do grupo Votorantim, passará a ter assento no conselho de administração da Amyris, integrado, entre outros, por investidores como John Doerr, que ficou bilionário apostando no início do desenvolvimento de empresas como o Google.

Dessa forma, a associação da Amyris com a Votorantim, cujo tamanho do investimento na norte-americana não foi divulgado, permitirá ainda maiores vôos nos Estados Unidos.

Nos EUA, a empresa prevê produzir em meados da próxima década querosene de aviação de cana por um processo semelhante ao utilizado na fabricação do diesel.

A CanaVialis, empresa da Votorantim, já está desenvolvendo variedades para o plantio de cana no Alabama (EUA), de onde sairá a matéria-prima para a produção do "jet fuel".

O governo dos EUA definiu que, até 2016, metade do consumo de combustível da Força Aérea norte-americana terá de ser de fonte renovável. "E um terço disso vai ser produzido pela Amyris", disse Reinach, para quem os resultados obtidos no Brasil, na "sintonia fina" do desenvolvimento tecnológico do combustível, deverão influenciar os trabalhos nos EUA.

Pela mesma rota tecnológica, outros combustíveis como a gasolina, além de dezenas de outros produtos, poderão ser sintetizados a partir da sacarose da cana, mas a empresa deve focar no diesel e no querosene por ora. "O mercado para diesel e jet fuel já é grande", disse Melo.

Edição de Marcelo Teixeira

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