ATUALIZA-Moody's pode reduzir rating de bancos médios do Brasil

terça-feira, 14 de outubro de 2008 14:58 BRT
 

(Texto atualizado com mais informações e contexto sobre medidas do BC)

SÃO PAULO, 14 de outubro (Reuters) - O aperto nos mercados de crédito e os possíveis impactos sobre o ritmo de ativiade da economia fizeram com que a agência de classificação de risco Moody's colocasse em revisão, para possível rebaixamento, as notas dadas para alguns bancos médios do Brasil.

De acordo com comunicado da agência, os bancos Ibi, Bonsucesso e Cruzeiro do Sul, estão com suas notas sob revisão para possível downgrade. Além disso, a agência alterou de "estável" para "negativa" a perspectiva da nota do banco BMG.

"A medida reflete a visão da Moddoy's que uma possível desaceleração na atividade econômica assim como condições desfavoráveis de financiamento e disponibilidade nos mercados local e internacional podem prejudicar a capacidade de geração de lucros recorrentes destes bancos", afirmou a Moody's em comunicado.

O banco BMG, com sede em Belo Horizonte (MG), tinha ativos de 7,68 bilhões de reais ao final de junho. O banco Cruzeiro do Sul, de São Paulo, registrava ao final do segundo trimestre ativos de 4,99 bilhões de reais. Já o banco Bonsucesso, também com sede na capital mineira, encerrou a primeira metade do ano com ativos de 1,45 bilhão de reais. O Ibi, de Barueri, na Grande São Paulo, fechou o período de abril a junho com ativos de 5,5 bilhões de reais. Os dados são da Moody's.

O Banco Central do Brasil adotou uma série de medidas nas últimas duas semanas para tentar combater o principal efeito da crise internacional, até o momento, sobre a economia brasileira: problemas de liquidez nos mercados de crédito.

Boa parte das medidas adotadas tinham como objetivo central garantir dinheiro para instituições financeiras de pequeno e médio portes.

Na última rodada de medidas, anunciada na segunda-feira, o BC autorizou bancos de médio porte --com patrimônio de referência de até 7 bilhões de reais-- a ter suas carteiras de crédito compradas por outras instituições.

Essas compras podem ser feitas usando recursos que até então eram recolhidos obrigatoriamente pelos bancos ao BC. De acordo com a decisão do Banco Central, os interessados na compra de carteiras de crédito destas instituições médias poderão usar até 70 por cento do dinheiro recolhido compulsoriamente dos depósitos a prazo para isso.

(Texto de Renato Andrade; edição de Alexandre Caverni)