Chávez e Uribe conversam por telefone após crise diplomática

sexta-feira, 14 de março de 2008 08:12 BRT
 

BOGOTÁ (Reuters) - Os presidentes da Colômbia, Alvaro Uribe, e da Venezuela, Hugo Chávez, conversaram por telefone na quinta-feira, num esforço para restabelecer a confiança após a superação da crise diplomática entre os dois países que durou mais de três meses, informou a Presidência colombiana.

Trata-se da primeira comunicação telefônica entre os dois presidentes desde o início das tensões diplomáticas em novembro, deflagradas pela decisão de Uribe de cancelar a mediação de Chávez junto às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para tentar a libertação de reféns mantidos pelos rebeldes.

"Foi realizada uma conversação telefônica entre os presidentes da República Bolivariana da Venezuela e da República da Colômbia, após uma ligação do presidente Hugo Chávez ao presidente Alvaro Uribe", disse um comunicado do governo colombiano.

"Nessa conversa foi reiterada toda a vontade de restabelecer as melhores relações entre os governos e a confiança entre os governantes", acrescentou.

Durante a crise diplomática, Chávez acusou o presidente colombiano de mentiroso, mafioso, paramilitar e de ser um boneco dos Estados Unidos.

Embora Uribe tenha inicialmente respondido acusando Chávez de legitimar o terrorismo das Farc e de liderar um projeto expansionista, ele depois se manteve em silêncio mediante os repetidos ataques do colega venezuelano.

A crise ganhou força depois que forças militares colombianas bombardearam uma região de selva no Equador sem autorização de Quito, num ataque em que o segundo na hierarquia das Farc Raúl Reyes foi morto.

O Equador classificou a ação de massacre e a considerou uma violação da soberania do país. O presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia. Em sinal de apoio ao colega equatoriano, Chávez ordenou um reforço militar na fronteira com a Colômbia.

Mas a crise, durante a qual Uribe acusou Chávez e Correa de ter relações e de apoiar as Farc, foi superada durante reunião do Grupo do Rio, realizada na República Dominicana, onde os três presidentes fizeram as pazes.

"Os dois presidentes renovaram o compromisso de confiança e colaboração mútua para que tanto a Colômbia quanto a Venezuela não sejam vítimas de grupos violentos, qualquer que seja sua origem", disse o comunicado do governo de Bogotá, em referência à conversa telefônica entre os dois líderes.

(Reportagem de Luis Jaime Acosta)