ANÁLISE-Crescimento da A.Latina é surpresa,assim como a inflação

quinta-feira, 15 de maio de 2008 15:33 BRT
 

Por Daniel Bases e Walter Brandimarte

NOVA YORK (Reuters) - O crescimento econômico na América Latina continua sendo uma surpresa agradável neste ano, mas a inflação também voltou antes das expectativas da maioria dos economistas, alimentada pelo forte consumo doméstico e os altos preços das commodities.

A boa notícia é que o crescimento econômico também está facilitando o tratamento desta inflação pelos bancos centrais, no entanto, nem todos os países estão dispostos a adotar políticas monetárias ortodoxas.

"A surpresa em termos de crescimento nos mercados emergentes neste ano é a América Latina", disse Joyce Chang, chefe de estratégia de mercados emergentes da JPMorgan, durante uma recente conferência organizada pela empresa de gerenciamento de ativos Ashmore Investment Management.

A América Latina tipicamente seguia os Estados Unidos em uma recessão, mas desta vez até mesmo o Fundo Monetário Internacional estima que a região irá crescer 4,4 por cento neste ano frente a uma previsão de um crescimento de 0,5 por cento nos Estados Unidos.

Esse é ainda um desempenho modesto se comparado à expectativa de crescimento de mais de 7 por cento nos mercados emergentes asiáticos, e quase 6 por cento nos emergentes europeus, mais foi o suficiente para as ações da América Latina terem o melhor desempenho entre essas regiões no ano passado.

Apesar de temerem um comprometimento do crescimento da América Latina se os preços das commodities caírem, muitos economistas argumentaram que a escassez de petróleo e outros metais colocará um piso sobre os preços dos produtos exportados da região como petróleo, cobre e soja em particular.

"Eu acredito que os preços das commodities se manterão por este motivo", disse Jerome Booth, líder de pesquisa da Ashmore, para quem os aumentos dos preços é estrutural e não uma bolha especulativa.

Os preços dos alimentos, por outro lado, devem recuar no médio prazo com os países elevando a produção, removendo a causa principal da inflação na América Latina, disse ele.   Continuação...