Premiê da Espanha diz que crise pode levar a fusões de bancos

quarta-feira, 15 de outubro de 2008 10:35 BRT
 

MADRI, 15 de outubro (Reuters) - O primeiro-ministro da Espanha, José Luis Rodríguez Zapatero, reconheceu na quarta-feira que instituições bancárias do país poderiam realizar fusões em vista das dificuldades enfrentadas atualmente pelo setor financeiro internacional.

"É evidente que, quando acontece um momento como este que vivemos, de crise grave, é provável, não apenas na Espanha mas também em outros países, que também surjam situações de fusão ou reestruturação dentro da ampla gama de possibilidades existentes", afirmou Zapatero em resposta a uma pergunta feita pelo deputado Josu Erkoreka.

O premiê lembrou ainda que o sistema financeiro espanhol já "observou numerosos processos de fusão, de integração e de reestruturação".

As declarações de Zapatero vieram a público depois do próprio presidente do banco central da Espanha, Miguel Ángel Fernández Ordónez, ter reconhecido, em 7 de outubro, diante da Câmara dos Deputados, que a retração do mercado de crédito pode detonar um processo de reestruturação no país europeu.

Especialistas consultados pela Reuters antes de serem aprovados os planos de resgate de bancos nos EUA e na Europa e antes das medidas de apoio ao setor financeiro na Espanha, avaliaram que os fundamentos sólidos das entidades financeiras espanholas não impediriam uma concentração maior do setor se os problemas atuais de liquidez persistirem.

Nesse cenário, analistas e especialistas concordam que as caixas econômicas são as mais vulneráveis diante da mudança atual no ciclo econômico porque 70 por cento de sua carteira de crédito (que chega a cerca de 900 bilhões de euros) encontram-se quase por inteiro nos negócios imobiliários e de construção, hoje paralisados.

Esse cenário, acrescentaram, poderia acelerar o processo de concentração.

(Por Manuel Maria Ruiz)