15 de Outubro de 2008 / às 12:22 / em 9 anos

ANÁLISE-Bancos já se movem, mas economia real espera efeito BC

(Repete matéria publicada na noite de 3a-feira)

Por Isabel Versiani e Alberto Alerigi Jr.

BRASÍLIA, 15 de outubro (Reuters) - A liberação de recolhimentos bancários compulsórios promovida pelo Banco Central a partir de setembro foi bem recebida por agentes econômicos, mas pode ser ainda insuficiente para garantir a normalização dos empréstimos na economia brasileira.

Se, de um lado, as medidas do BC já causaram alguma movimentação entre os bancos, de outro, setores produtivos ainda esperam sinais mais claros de que o crédito não será um problema.

Para Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC, o ideal seria que a autoridade monetária afrouxasse os recolhimentos compulsórios que não são remunerados e, ao mesmo tempo, vinculasse a liberação ao direcionamento dos recursos para financiamento.

“Acho que, apesar dessas liberações todas, não necessariamente significa que os recursos vão chegar onde são necessários”, afirmou.

Ele disse que, diante do cenário de aversão a risco, o mais provável é que as instituições utilizem os recursos liberados para a compra de títulos públicos ao invés de aumentarem os empréstimos concedidos a bancos pequenos e médios que têm enfrentado problemas de liquidez.

As mudanças nas regras dos compulsórios feitas pelo BC poderão potencialmente injetar até 160 bilhões de reais na economia. A autoridade monetária afirmou que “as liberações serão efetuadas de acordo com as necessidades de liquidez nos mercados”.

Do total de compulsório liberado, ou em liberação, cerca de 30 bilhões de reais são condicionados ao direcionamento dos reucursos, pelos bancos, para a compra de carteiras de crédito de outras instituições ou para papéis como direitos creditórios oriundos de operações de leasing.

Ex-economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Roberto Luis Troster afirma que o “erro” do BC foi vincular a liberalização dos compulsórios às necessidades do mercado.

“O Banco Central devia liberar e pronto, ou anunciar como é que ele vai fazer”, afirmou Troster.

Para o economista, apesar de ir na direção correta, o fato de o BC acenar com uma provisão elevada de liquidez não é suficiente para dar segurança aos bancos diante da indefinição sobre o cronograma.

CASA E CARRO

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Simão, vai na mesma linha. “É preciso que os bancos agora dêem esse sinal. Estão recebendo a liberação dos compulsórios, mas é preciso que esses recursos comecem a fluir para o mercado.”

Segundo Simão, as linhas de crédito para a indústria de material de construção já estão falhando como resultado da crise e consumidores adiam decisões de compra diante da volatilidade da economia.

Ele afirmou que a previsão do setor de incorporadoras e construtoras do país é fechar 2008 com participação entre 8,5 e 10 por cento do Produto Interno Bruto do país ante fatia de 5,4 por cento em 2007. Para 2009, o otimismo, diante da crise, é contido.

“Ano que vem essse crescimento não deve se repetir, porque vai haver naturalmente um encolhimento. As empresas vão refazer seus projhetos. Muita gente vai adiar sua decisão de compra (de imóveis)”, disse Simão. “Tudo o que gente tinha planejado vai ter que ser revisto. Certamente o crescimento será menor.”

Para o setor automotivo, outro motor do crescimento econômico nos últimos anos, o agravamento recente da crise se refletiu no aumento das taxas cobradas pelos bancos.

Segundo o presidente da Fenabrave (Federação Nacional de Distribuidoras de Veículos Automotores), Sérgio Antonio Reze, as taxas médias de juros aumentaram de 26 por cento para 35 por cento ao ano.

“Os bancos estão se protegendo com a expectativa de um possível aumento da inadimplência”, afirmou Reze.

Sua expectativa é que a liberalização dos compulsórios possa contribuir para minimizar essas altas, mas ele frisa que a elevação no valor das prestações de financiamento de carros ainda é relativamente pequena e não tende a afetar as vendas.

AVANÇOS

Na segunda-feira, o Bradesco (BBDC4.SA) e o Unibanco UBBR11.SA compraram carteiras de crédito consignado e de veículos de outras instituições menores aproveitando a brecha aberta pelo BC. Os bancos não informaram o valor das operações.

Na semana passada, o presidente do BC, Henrique Meirelles, afirmou que “uma série” de operações nesse sentido já foram fechadas, mas não deu detalhes.

Edição de Daniela Machado e Alexandre Caverni

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