15 de Maio de 2008 / às 18:01 / 9 anos atrás

Para presidente do JBS, foi-se o tempo do boi barato no Brasil

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 15 de maio (Reuters) - O presidente do JBS (JBSS3.SA), Joesley Mendonça Batista, afirmou que a vantagem competitiva do setor de carne bovina do Brasil, onde o custo da matéria-prima costumava ser menor em relação a outros países, é coisa do passado.

O Brasil, com um dos maiores rebanhos do mundo, atravessa um novo ciclo de baixa na oferta de gado, após um período de intenso abate de matrizes, o que está dando sustentação aos preços da arroba do boi.

Somado a isso, segundo ele, há uma maior convergência de margens do setor entre os países, considerando que cada vez mais o negócio é global.

"No Brasil, os preços da matéria-prima estão iguais ou mais elevados do que nos Estados Unidos em alguns momentos. E Austrália tem boi mais barato que o Brasil", declarou Batista a jornalistas, durante a divulgação de resultados da empresa [ID:nN15286558].

Segundo ele, hoje o Brasil não tem mais aquele boi que custava 20 dólares a arroba. "Hoje temos um boi com preços americanos, australianos, o boi brasileiro está perto de 50 dólares (a arroba), o dos EUA está entre 45 e 50 dólares, e na Austrália está entre 35 e 45."

Ironicamente, essa vantagem competitiva do Brasil foi um dos principais fatores que permitiu à empresa se tornar uma multinacional do setor, sendo atualmente a maior exportadora do mundo de carne bovina, com vendas previstas este ano em 5 bilhões de dólares, superior até à receita a ser obtida por todas as empresas exportadoras brasileiras em 2008, prevista pelo JBS em 4,5 bilhões de dólares.

Em função dos maiores custos no Brasil, o abate de bovinos do JBS no país, no primeiro trimestre do ano, caiu cerca de 20 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, para 600 mil cabeças.

Essa conjuntura de mercado fez a margem Ebitda das operações do JBS no Mercosul cair para 10,4 por cento no primeiro trimestre de 2008, contra cerca de 15 por cento em 2007.

"Nós não estaremos mais vivos para ver recuos de preços de alimentos", disparou ele, comentando sobre a alta das principais commodities mundiais.

Com relação ao mercado de boi no Brasil, ele só vê algum alívio a partir de 2011, quando o rebanho começará a ser recomposto.

MELHORA DA MARGEM NOS EUA

Por outro lado, a margem Ebitda do JBS EUA (incluindo dados das operações na Austrália), que ainda é bem menor do que a das operações no Mercosul, subiu de -1,4 por cento para 3 por cento no primeiro trimestre.

"Operamos nos EUA de forma mais racional, com volumes mais adequados à demanda, perdemos em faturamento, mas foi compensado no resultado financeiro", declarou ele.

Em função dos maiores custos com matéria-prima em todo o mundo, Batista disse que vê uma tendência de convergência de margem das operações da empresa para entre 5 e 7 por cento.

Uma provável retomada das vendas de carne dos EUA para a Coréia do Sul, esperada para as próximas semanas, após um acordo de governos --o produto dos EUA enfrenta restrições externas devido à doença da vaca louca--, também deverá elevar ainda mais as margens do JBS EUA, segundo o presidente.

"Talvez assistamos uma certa mudança na origem da geração de caixa, vamos ver mais nos EUA e na Austrália, talvez tenhamos menos geração de caixa no Mercosul."

Edição de Marcelo Teixeira

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