October 15, 2008 / 4:25 PM / 9 years ago

BB quer aproveitar crise para comprar R$3 bi em carteiras

4 Min, DE LEITURA

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO, 15 de outubro (Reuters) - O Banco do Brasil (BBAS3.SA) está negociando a compra de 3 bilhões de reais em carteiras de crédito consignado de pequenas instituições.

As compras devem ser financiadas com a quantia de até 11,4 bilhões de recursos adicionais aos quais o banco terá acesso com a flexibilização do recolhimento compulsório definida pelo Banco Central.

"A crise trouxe muitas ameaças, mas também muitas oportunidades", disse Aldo Luiz Mendes, vice-presidente de finanças, mercado de capitais e relações com investidores do banco, em teleconferência com analistas nesta quarta-feira.

Segundo ele, além do interesse de bancos menores em vender carteiras para evitar um comprometimento da estrutura de capital, num momento de enxugamento da liquidez no sistema interbancário, o BB também está sendo beneficiado pelo aumento do volume de depósitos, com a migração de recursos para instituições consideradas mais sólidas.

De junho a agosto, o total de depósitos na instituição subiu de 195,5 bilhões para 214,1 bilhões de reais. "É o efeito 'fly to quality'", disse Marco Geovanne Tobias da Silva, gerente-geral de relações com investidores.

De acordo com Mendes, como a taxa média de inadimplência tem se mantido baixa --na casa de 3,3 por cento nos atrasos superiores a 90 dias--, o banco sente-se confortável para continuar ampliando a oferta de financiamento, mesmo diante de um cenário mais incerto.

De junho a agosto, a carteira de crédito total da instituição subiu 1,73 por cento, para 193,3 bilhões de reais. O BB manteve a meta de expandir os financiamentos em 25 a 30 por cento em 2008. Para 2009, no entanto, a expectativa de intervalo de 20 a 25 por cento de crescimento está em revisão para baixo.

POSSÍVEL REVISÃO DE DIVIDENDOS

Essa agressividade nas operações de crédito fez o nível de proteção do capital do banco, medida por Basiléia 2, recuar de 15,3 por cento para 13,7 por cento, aproximando-se do piso de 11 por cento exigido pelo BC.

Com isso, o BB contempla a possibilidade de mudar sua política de distribuição de dividendos a acionistas, o que o permitiria usar parte dos recursos de lucros para fortalecer sua posição de capital, caso necessário.

"Hoje, ainda poderíamos emprestar mais 40 bilhões de reais sem comprometer nosso índice de Basiléia. Mas poderemos optar pelo reforço de capital a reduzir a oferta de crédito", disse Mendes.

O executivo ainda informou que o banco poderá pedir à Bovespa a extensão do prazo para atender a exigência de ter pelo menos 25 por cento das ações em circulação, que deve ser obedecida até meados de 2009.

O banco planejeva fazer uma oferta pública de ações para atingir esse patamar, possivelmente com uma emissão primária para financiar a compra da Nossa Caixa.

"Ainda não fizemos contato formal com a Bovespa. Acredito que não haverá dificuldades de endereçar esse pleito, se as atuais condições prevalecerem nos próximos seis meses.

Mendes afirmou que as negociações para a compra do banco estatal paulista prosseguem, mas ainda não chegaram a um acordo. Ele acrescentou que o plano de expansão do banco no exterior, especialmente nos Estados Unidos, está sendo repensado para incluir as novas oportunidades criadas com a crise financeira no país.

Edição de Daniela Machado

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