Não nos culpem pela fome, dizem produtores de biocombustíveis

quinta-feira, 15 de maio de 2008 15:57 BRT
 

Por Martin Roberts

SEVILHA, 15 de maio (Reuters) - Produtores de biocombustíveis reunidos na Espanha negaram veementemente as acusações de que são os responsáveis pelo aumento dos preços dos alimentos e pela fome mundial.

À medida em que o mundo busca uma oferta sustentável de energia e maneiras de reduzir as emissões de gás do efeito estufa, tem aumentado a preocupação de que a terra usada para agroenergia está competindo com a área plantada com alimentos.

Oradores de uma convenção sobre biocombustíveis, que terminou na quinta-feira em Sevilla, foram unânimes em dizer que a produção para biocombustíveis responde por apenas 3 por cento da demanda mundial por grãos.

Josep Borrell, presidente do Comitê de Desenvolvimento do Parlamento europeu, afirmou que a demanda é muito pequena para explicar um salto nos preços do arroz, estimado em 76 por cento entre dezembro de 2007 e abril de 2008 pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação.

"A indústria de biocombustíveis não pode ser o bode expiatório para os aumentos brutais dos preços", disse ele à Reuters em uma entrevista.

Borrell argumenta que os altos preços dos grãos podem na verdade tornar a agricultura mais rentável para pequenos produtores dos países em desenvolvimento, evitando a migração para as já superlotadas cidades.

Membros da indústria dizem que os preços dos grãos subiram devido a um aperto do crédito em todo o mundo, o que levou os fundos de investimentos a entrarem no mercado de commodities.

"Isso é logicamente parte do mercado, mas vale lembrar que posições especulativas no mercado de milho de Chicago são hoje três vezes os estoques para o final da temporada 2008/09, como previsto pelo Departamento de Agricultura dos EUA", disse Javier Salgado, presidente da Abengoa Bioenergy (ABG.MC: Cotações), um dos maiores produtores de biocombustível da Europa.   Continuação...