October 15, 2008 / 10:29 PM / 9 years ago

Câmara quer retomar debate sobre autonomia do BC

3 Min, DE LEITURA

Por Natuza Nery

BRASÍLIA, 15 de outubro (Reuters) - Em meio a maior crise do sistema financeiro internacional e ataques à falta de regulação dos mercados, a Câmara está disposta a ressuscitar o debate sobre a autonomia do Banco Central. O objetivo é criar uma comissão geral, em plenário, para tratar do assunto com urgência.

A iniciativa é do deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), que decidiu retomar o assunto, tabu em setores do governo, preocupado com a confiança dos investidores externos no Brasil por conta da crise global.

PMDB, DEM, PSDB, PR e PP já assinaram o requerimento criando a comissão, que deve se reunir na semana que vem. Juntos, esses partidos somam mais da metade da Câmara.

"Vamos ter eleição presidencial em dois anos, incerteza com a troca de equipe. O colapso nos mercados vai se prolongar. Se não tivermos um BC independente, poderemos dar um sinal ruim para fora", disse Bornhausen à Reuters.

Em viagem recente aos Estados Unidos, o democrata disse ter ouvido de investidores um apelo à autonomia do BC, tema antigo no Congresso mas que conta com forte resistência no PT.

Quando ministro da Fazenda, Antonio Palocci era uma das poucas vozes do partido a defender a tese.

"O governo não me expressou nenhuma opinião. Eu, pessoalmente, sou contrário. Não se deve mudar o sistema de governança do BC, ainda mais agora", afirmou o deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo.

Os questionamentos sobre a falta de regulação do sistema financeiro, apontada como determinante para a explosão da crise internacional, gera dúvidas sobre o futuro desse debate no Congresso.

Até mesmo partidos alinhados com a lógica do livre mercado já relativizam medidas que estimulem a diminuição do controle do Estado na economia.

"Neste momento, o discurso neoliberalizante está apanhando", afirmou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

"O Brasil vai ter confiança na sua estabilidade quando, de maneira clara, fizer corte das despesas públicas", acrescentou o dirigente.

Edição de Mair Pena Neto

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