Marina: meio ambiente requer novo acordo político

quinta-feira, 15 de maio de 2008 15:55 BRT
 

Por Isabel Versiani

BRASÍLIA (Reuters) - A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou nesta quinta-feira que o andamento da agenda ambiental do país demanda um novo "acordo político" e manifestou confiança no trabalho do também petista Carlos Minc, convidado a sucedê-la pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Eu sempre brinco que é melhor um filho vivo no colo de outro do que tê-lo jazendo no seu próprio colo", disse Marina em sua primeira entrevista após ter encaminhado carta de demissão em caráter irrevogável ao presidente Lula na terça-feira.

Reiterando o tom adotado na carta, Marina disse que decidiu sair por entender não ter mais "as condições necessárias dentro do governo para continuar avançando com a agenda" ambiental.

A ex-ministra, que disse já estar falando como senadora do PT pelo Acre, acrescentou que não houve um episódio isolado que determinou sua decisão, mas citou pressões vindos dos governadores do Mato Grosso (Blairo Maggi, do PR) e Rondônia (Ivo Cassol, do PPS).

Segundo Marina, ambos estavam insatisfeitos com decisão do Conselho Monetário Nacional deste ano de dificultar o acesso a crédito bancário para produtores de regiões desmatadas, medida considerada umas das principais conquistas pelos ambientalistas.

"Há um tensionamento muito forte vindo do Mato Grosso e de Rondônia em relação às medidas que foram tomadas", afirmou a ex-ministra.

Ela negou que a indicação do ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) para dirigir o recém-lançado Plano Amazônia Sustentável (PAS) tenha sido determinante, apesar de admitir não ter sido consultada sobre o assunto pelo presidente Lula.

Marina destacou como principais desafios da agenda ambiental daqui para a frente evitar retrocessos em questões como a exigência do CMN e a criminalização de toda a cadeia produtiva em que haja envolvimento com desmatamento.   Continuação...