15 de Maio de 2008 / às 20:15 / 9 anos atrás

IBS eleva previsão de venda de aço, reduz de exportação

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A demanda maior do que o previsto no primeiro trimestre fez o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) revisar as projeções do setor para este ano, elevando a previsão de vendas internas de aço para um crescimento de 13,1 por cento contra os 10,7 por cento estimados anteriormente.

Em volume, o Brasil deverá consumir 23,248 milhões de toneladas, contra a estimativa de 22,748 milhões de toneladas da previsão feita no início do ano. A produção permanece estável em relação à projeção feita inicialmente, de 37,637 milhões de toneladas, uma alta de 11,4 por cento em relação a 2007.

"O primeiro trimestre surpreendeu, não se esperava um início de ano tão forte", afirmou a jornalistas o vice-presidente executivo do IBS, Marco Polo de Mello Lopes, prevendo uma nova revisão para meados do ano.

Ele descartou no entanto dificuldades do setor para atender à demanda interna. Segundo ele, 60 por cento da capacidade instalada no Brasil atende a essa demanda e o restante é voltado para exportação.

"Não existe possibilidade de faltar aço no Brasil", afirmou.

Com oferta apertada, as siderúrgicas brasileiras tiveram que reduzir suas exportações para atender os clientes no Brasil, o que levou o instituto a rever para baixo a previsão de exportações, de 17,9 para 15,9 por cento, para um volume de 11,94 milhões de toneladas.

Por outro lado, as importações, anteriormente projetadas para cair 4,1 por cento, agora estão estimadas para subir 11,5 por cento, para 1,8 milhão de toneladas.

"As importações têm sido feitas pelas próprias usinas para atender a seus clientes no mercado interno e não deixar o mercado externo sem produto", explicou.

Lopes destacou os setores de construção civil, automotivo e de bens de capital como as principais locomotivas do crescimento da siderurgia brasileira.

"Os setores que mais usam aço estão contemplados no programa industrial lançado pelo governo esta semana, o que nos deixa muito otimista", informou.

Ele disse não temer que uma possível alta dos juros para conter a inflação reduza as previsões de crescimento do país, mas admitiu que ajustes no preço do aço continuarão a ser feitos para repassar o aumento do preço do minério de ferro e do carvão, principais insumos da siderurgia.

"É um repasse legítimo, não se pode esperar que os aumentos do minério e do carvão não sejam transferidos", frisou, lembrando que as negociações de preço são feitas caso a caso e o IBS não acompanha esse processo.

2015

Lopes afirmou que o país hoje pode estar vivendo um "ciclo sustentável de crescimento na siderurgia", e de acordo com estudos visando 2015, a capacidade instalada de produção de aço deve subir para 80,6 milhões de toneladas em 2015, contra as 41 milhões de toneladas até o final do ano passado.

Se confirmado o incremento, o IBS avalia que o Brasil possa passar da nona posição que ocupa hoje no ranking mundial para a sétima. As projeções levaram em conta as novas estimativas do crescimento do Produto Interno Bruto e programas de governo como o PAC e a Política de Desenvolvimento Produtivo, além dos investimentos já anunciados pela iniciativa privada.

Contabilizando apenas os projetos que já estão em andamento, o IBS prevê uma capacidade instalada de 63,1 milhões de toneladas de aço em 2010, após investimentos já programados de 32,9 bilhões de dólares. Em estudo estariam mais cerca de 17,5 milhões de toneladas, ou 12,8 bilhões de dólares em investimentos.

"Nos projetos que consideramos como estudo estão as plantas da Baosteel, CSN, Pecém e Mearim", informou, referindo-se ao projeto da Baosteel com a Vale no Espírito Santo; da ampliação da Companhia Siderúrgica Nacional ; da siderúrgica da Vale com a coreana Dongkuk no Ceará; e a siderúrgica do ex-presidente da Paraibuna Metais, Raimundo Pessoa, no Maranhão.

Lopes afirmou que mesmo com a evolução da demanda prevista para o período (2008-2015), de 7,7 por cento ao ano, em 2015 o país ainda terá um excedente de cerca de 17 milhões de toneladas para exportação.

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