Pressão externa continua e dólar atinge máxima em 2 meses

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 16:49 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO (Reuters) - A valorização do dólar em todo o mundo continuou a repercutir no Brasil nesta sexta-feira, levando a taxa de câmbio para o maior patamar de fechamento desde 11 de junho.

A divisa terminou a semana a 1,639 real, com alta de 0,74 diária de por cento. O dólar, que subiu em nove das onze sessões de agosto, acumula alta de 4,86 por cento no mês.

O mercado brasileiro refletiu o fortalecimento do dólar no exterior. Com a aparente resistência dos Estados Unidos a uma recessão e com a retração econômica da zona do euro e de outras regiões desenvolvidas, os investidores têm alterado o posicionamento no mercado internacional de câmbio.

"A gente vê que economias como Alemanha, França e Itália estão em desaceleração, e enquanto a gente não vir uma reversão desse quadro, o dólar vai ganhar espaço frente a todas as moedas", disse Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento.

Nesta sessão, o euro caiu para o menor valor em seis meses diante do dólar. A libra recuou para a mínima em dois anos, e o iene voltou ao nível do começo de 2008.

Segundo Vanderlei Arruda, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, o mercado já começa a ver a mudança como uma tendência de longo prazo. "Esse ajuste, talvez até um pouco exagerado nesse primeiro momento, é uma situação que alguns analistas já estão dando como contínua e progressiva".

É difícil avaliar, no entanto, se há fôlego para a continuidade da alta do dólar no Brasil no curto prazo. Segundo os analistas, o mercado vai acompanhar o cenário internacional e o preço das commodities --que caíam cerca de 2 por cento nesta tarde-- para estender ou não esse movimento.

"(O dólar) tem espaço para bater próximo a 1,70 (real) ao longo do mês", afirmou Nobrega.   Continuação...