PSDB ameaça expulsar infiéis pró-campanha de Kassab

terça-feira, 15 de julho de 2008 19:48 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - No dia seguinte à manifestação de amplo apoio à candidatura do prefeito Gilberto Kassab (DEM) pelos secretários municipais tucanos, o PSDB enviou carta aos filiados ameaçando com processo de expulsão aqueles que aderirem a nomes de outras siglas.

O partido evoca a lei da fidelidade partidária, que prevê adesão obrigatória de filiados às determinações dos partidos.

"Os filiados que não atenderem a este princípio (apoiar candidatos da sigla), ou seja, que apoiarem publicamente nossos concorrentes, deverão ser encaminhados ao conselho de ética e fidelidade partidária", diz trecho da carta enviada a cerca de 8 mil filiados no Estado.

Na eleição da capital paulista, o PSDB se definiu pelo ex-governador Geraldo Alckmin, mas um grande número de tucanos atua na administração de Kassab, herdada do governador José Serra (PSDB). Na segunda-feira, Kassab convocou seus secretários tucanos a defenderem sua gestão na campanha eleitoral e recebeu a anuência da equipe.

"Candidatos a vereador e a prefeito do partido querem que os filiados subam no palanque deles e não no do adversário", disse à Reuters o secretário-geral do PSDB estadual, César Gontijo.

O dirigente disse que a carta já vinha sendo gestada em reuniões do partido e foi aprovada pela executiva estadual na segunda-feira. Para ele, 2008 é importante por ser uma etapa para o PSDB retomar a Presidência da República.

"Temos que fazer um ajuste fino em São Paulo. Nosso enfrentamento é com o PT e nosso candidato é o Geraldo, que vai dar as condições para eleger Serra presidente da República em 2010", afirmou.

Entre os secretários tucanos da administração paulista, os mais engajados na campanha de Kassab são o deputado federal Walter Feldman (Esportes) e Clóvis Carvalho (Governo).

Kassab tem dito que o PSDB tem uma "peculiaridade", por ter dois candidatos a prefeito em SP. Gontijo devolve: "Como ele é do PFL (atual DEM), é difícil para ele falar sobre o PSDB."

O processo no conselho de ética leva cerca de um mês. O filiado pode ser advertido, suspenso de 3 a 12 meses, destituído de função em órgão partidário ou expulsão. Se for parlamentar, poderá perder o mandato.

Na segunda-feira, o deputado Edson Aparecido, coordenador-geral da campanha de Alckmin, havia dito que o encontro do prefeito com auxiliares era "absolutamente irrelevante". (Reportagem de Carmen Munari)