Rato, do FMI, diz que dólar está sobrevalorizado

segunda-feira, 15 de outubro de 2007 18:35 BRST
 

WASHINGTON (Reuters) - O diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, disse nesta segunda-feira que o dólar está sobrevalorizado, apesar de estar cotado perto de seu recorde de baixa, e precisa se depreciar ainda mais.

"Como o FMI tem em vista uma estabilidade cambial de médio prazo, ainda vemos que o dólar está sobrevalorizado", disse Rato a um grupo de repórteres. "Ainda vemos espaço para uma depreciação adicional e, se você olhar para os mercados futuros, vai perceber que eles estão vendo mais ou menos a mesma coisa."

Falando antes das reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, Rato disse que o euro está próximo de um valor de "equilíbrio" e repetiu o pedido do Fundo por uma maior flexibilidade do iuan chinês.

Na última semana, em uma entrevista para o Financial Times, o diretor do FMI, que está de saída, disse que o dólar está subvalorizado em várias medidas usadas pelo FMI para avaliar moedas. Embora não esteja claro se Rato se equivocou, a linha oficial do FMI está há tempo declarando que a moeda norte-americana está sobrevalorizada entre 15 e 35 por cento.

Rato disse que é importante que o valor das moedas seja determinado pelas forças do mercado e que o trabalho do FMI em supervisionar as taxas de câmbio utiliza diversas medidas para determinar o equilíbio real e de médio-prazo das taxas de câmbio.

O dólar caiu para um recorde de baixa frente ao euro e a uma cesta de moedas este mês.

Os ministros das Finanças do G7 --grupo dos sete países mais industrializados do mundo-- devem se concentrar em assuntos como o enfraquecimento do dólar, o aperto do crédito no mundo e a desaceleração do crescimento global quando se encontrarem em Washington no final desta semana.

O secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, reiterou na semana passada que ele apóia um dólar forte, mas economistas têm apontado que um dolár fraco está impulsionando as exportações norte-americanas e apoiando a economia em um momento em que a demanada doméstica pode estar vacilando.

Rato disse que a economia norte-americana deve ser capaz de absorver o impacto de uma desaceleração em seu mercado imobiliário e que ela ainda tem bastante força.

Sobre a economia mundial, Rato disse que levará tempo para analisar o impacto total do aperto do crédito global. Ele admitiu que já está claro que o crescimento está desacelerando, "mas não de uma forma dramática".