JURO-DIs fecham sem rumo comum, foco em crise externa e inflação

segunda-feira, 15 de setembro de 2008 16:19 BRT
 

SÃO PAULO, 15 de setembro (Reuters) - As projeções de juros ficaram sem rumo comum nesta segunda-feira, com queda das projeções mais curtas diante da menor expectativa de inflação e alta das taxas mais longas em meio à crise externa.

O contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2009 recuou de 14,03 para 13,99 por cento, e o DI janeiro de 2010 caiu de 14,64 para 14,63 por cento. Com menos volume, o DI janeiro de 2012 subiu de 14,14 para 14,29 por cento.

"As mais longas é por saída de posição, e as mais curtas pela inflação para baixo e a possibilidade do Fed cortar o juro amanhã", disse Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez, sobre o movimento desta segunda-feira.

No exterior, o risco Brasil disparou, ultrapassando a marca dos 300 pontos-básicos, em meio à turbulência gerada pela crise nos bancos norte-americanos. Em busca de recursos, os estrangeiros fecharam posições no país, elevando projeções de juros, derrubando a Bovespa e impulsionando o dólar.

A preocupação com o setor financeiro dos Estados Unidos aumentou a aposta dos investidores sobre um corte da taxa básica de juros na reunião de terça-feira do Federal Reserve. As fed funds estão, atualmente, em 2 por cento.

No Brasil, o relatório Focus do Banco Central trouxe uma leve diminuição das expectativas de inflação do mercado. Os agentes prevêem agora alta de 4,99 por cento do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2009, contra alta de 5 por cento em projeções anteriores.

Para 2008, a expectativa de alta caiu ligeiramente, de 6,27 por cento para 6,26 por cento. A perspectiva para a taxa básica de juros permaneceu inalterada, em 14,75 por cento no fim de 2008 e 13,75 por cento no fim de 2009.

No começo da sessão, o Banco Central recolheu mais de 60 bilhões de reais dos bancos em duas operações para controlar a liquidez do sistema financeiro.

Na primeira, foram tomados 7,015 bilhões de reais, até 1o de outubro, a 13,70 por cento ao ano. Na segunda, o BC recolheu 55,683 bilhões de reais, por 1 dia, a 13,67 por cento ao ano.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Alexandre Caverni)