23 de Outubro de 2007 / às 03:16 / 10 anos atrás

COLUNA-Copom e Bernanke formam elite, atividade cai à 2a divisão

Por Angela Bittencourt

SÃO PAULO (Reuters) - Os indicadores de atividade taxados de "elite" entre os dados que o Banco Central leva em conta na hora de discutir a política monetária do país devem ser rebaixados para a segunda divisão na retomada das operações pelo mercado financeiro, após o feriadão.

A definição do juro básico da economia será o principal alvo de atenção de bancos e investidores numa semana atulhada de eventos financeiros aqui e lá fora.

O Ibovespa, índice tradicional das ações brasileiras, vai agitar as duas grandes bolsas nacionais: será protagonista do exercício de opções na segunda-feira na Bolsa de Valores de São Paulo e do vencimento de contratos futuros na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) na quarta-feira.

O mercado acionário estará exposto a uma overdose de emoção, dependendo do tom que o chairman do Federal Reserve, Ben Bernanke, imprimir em pronunciamentos que abrem e fecham a semana do Copom.

Bernanke será o centro de um jantar promovido pelo Economic Club of New York segunda-feira à noite. Na sexta-feira, ele participa de encontro patrocinado pelo Fed de St Louis, onde o debate esquenta em torno da política monetária.

Entre um compromisso e outro, o Fed divulgará o Livro Bege, em que a instituição faz um balanço periódico da atividade econômica dos Estados Unidos que será usado como suporte para a próxima decisão sobre o juro básico. O Comitê Federal de Mercado Aberto tem encontro marcado em 30 e 31 de outubro.

DE OLHO NO CÂMBIO

Na quarta-feira, quando o Fed apresentar o Livro Bege, com chance de incrementar a expectativa de novos cortes do juro norte-americano, o Banco Central do Brasil deverá atualizar dados referentes ao fluxo cambial do país.

O mercado aguarda os dados com ansiedade para confirmar o ritmo de ingresso de dólares no sistema bancário e, desta forma, encontrar consistentes justificativas para a retomada da forte apreciação do real.

Na quinta-feira, o dólar chegou a cair mais de 1 por cento e rompeu o suporte de 1,80 real --ratificando a menor taxa observada em sete anos.

O comportamento do câmbio concentrará a atenção de tesoureiros e gestores de fundos de investimentos especialmente nos próximos dias, uma vez que a valorização do real tem sido considerada fator decisivo para o posicionamento do Copom ao definir a taxa Selic.

BALANÇO DE RISCOS

Experiente executivo de um banco estrangeiro alerta para a ponderação feita pelo Copom, na ata de setembro, de que "apesar de entender que diversos fatores respaldariam a decisão de manter a taxa de juros inalterada já nessa reunião... o balanço de riscos para a trajetória prospectiva da inflação ainda justificaria estímulo monetário adicional".

"Na reunião do Copom agora em outubro, resta saber se o BC ainda estará vendo espaço para estímulos monetários adicionais para cortar novamente o juro", comenta o executivo, que prefere não ser identificado.

"A contribuição do câmbio para a inflação pode estar próxima do esgotamento. Ninguém arrisca prever quedas mais expressivas do dólar... Chega um ponto em que os compradores aparecem e os vendedores recuam porque não querem perder dinheiro passando adiante a moeda por um valor considerado muito baixo. Da reunião do Copom até a quinta-feira, o dólar caiu cerca de 9 por cento", lembra.

PESQUISA REUTERS

Pesquisa Reuters confirma a divisão do mercado rumo à penúltima reunião do Copom deste ano.

De 27 entrevistados, 14 esperam corte de 0,25 ponto percentual e 13 vêem manuntenção da Selic nos atuais 11,25 por cento ao ano. Para dezembro, 19 contam com "parada técnica" ou estabilidade do juro, relata Vanessa Stelzer, da Reuters em São Paulo.

A curva de juro, estruturada no pregão da BM&F, aponta 30 por cento de probabilidade de redução da Selic na quarta-feira.

O gestor de um fundo de investimentos brasileiro, que não quer ser identificado, avisa, porém, que esse percentual pode ser alterado no início da semana.

TCHAU PARA A META

"Grandes investidores podem se reposicionar rapidamente no mercado futuro de juros, principalmente se o relatório Focus confirmar uma esperada queda da projeção para o IPCA deste ano e, em particular, de 2008. Os dados recentes sugerem revisão de expectativa para melhor e o BC deverá, mais uma vez, entregar ao governo um índice de inflação bem abaixo do centro da meta e com a economia mantendo o pique desejado pelo presidente Lula", avalia a fonte.

Octavio de Barros, economista-chefe e diretor de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco, explica que a desaceleração do IPCA de agosto para setembro, com a variação do índice recuando de 0,47 para 0,18 por cento, mostrou o forte recuo dos alimentos e dos preços do item serviços, que tombou indicando ausência de pressões significativas de demanda.

"O resultado de setembro corroborou com nossa projeção de alta de 3,7 por cento para o IPCA em 2007, compatível com crescimento de 4,9 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)."

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