Jobim prevê instalação de Conselho de Defesa ainda este ano

terça-feira, 15 de abril de 2008 07:44 BRT
 

CARACAS (Reuters) - O Conselho Sul-Americano de Defesa poderia ser instalado no fim do ano como parte da integração da região e para isso não é necessária a permissão dos Estados Unidos, disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim na segunda-feira.

Em declarações feitas logo depois de uma reunião de várias horas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, Jobim disse que a América do Sul não vive uma corrida armamentista e que o Conselho não tem a intenção de ser operacional.

"Acho que o Conselho tem condições de ser instalado até o final deste ano", explicou Jobim a jornalistas após a reunião com Chávez.

O ministro também afirmou que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) deve desenvolver-se com grande presença com o Conselho de Defesa.

A proposta brasileira surgiu após a recente crise entre Quito e Bogotá, provocada pela incursão colombiana em território equatoriano para atacar um importante acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Jobim disse que o Conselho pode se cristalizar em poucos meses depois de uma cúpula da Unasul prevista para o fim de maio. Ele acrescentou que já houve negociações com países como Argentina, Bolívia, Chile e Equador.

Questionado se o Conselho pode ser uma espécie de Otan da região, como sugeriu Chávez, Jobim explicou que "a colaboração no Conselho não é a formação de uma aliança militar clássica, não há nenhuma pretensão operacional".

"A questão armamentista é um equívoco, não há nenhuma corrida armamentista na América do Sul. Não há nada disso", enfatizou.

O ministro também defendeu o direito da região de criar o organismo de defesa sem a presença nem o consentimento de Washington.   Continuação...

 
<p>O presidente venezuelano, Hugo Ch&aacute;vez, com o ministro da defesa brasileiro, Nelson Jobim, em Caracas. Foto de 14 de abril. Photo by Reuters (Handout)</p>