Com capacidade maior em 2008, TAM avalia cargueiro próprio

terça-feira, 15 de abril de 2008 13:50 BRT
 

SÃO PAULO, 15 de abril (Reuters) - A TAM TAMM4.SA, maior companhia aérea do Brasil, aumentará sua capacidade de transporte de cargas em 2008 com a chegada de novas aeronaves e mantém estudos para incorporação à sua frota de aeronave de tipo cargueiro, disse nesta terça-feira, o diretor da unidade de cargas, Marcelo Rodrigues.

A companhia aumentará sua capacidade de transporte de carga em 14 por cento no mercado doméstico e em 36 por cento no internacional este ano, por conta da expansão de frota de 110 para 123 aviões. Quatro dos novos aviões serão Boeings 777-300ER, que têm maior capacidade de porão que jatos da Airbus que também serão incorporados.

Apesar dessa expansão, a unidade, que atualmente opera via aproveitamento de espaços nos porões das aeronaves de passageiros da empresa e é responsável por nove por cento do faturamento total da companhia, mantém estudos para a incorporação de avião exclusivamente cargueiro.

"A unidade de carga é estratégica para a TAM e, de tempos em tempos, temos estudos sobre a possibilidade de incorporar um cargueiro puro. Mas no curto prazo ainda não temos nada", disse Rodrigues, durante evento de transportes em São Paulo.

Caso se decida pela incorporação do cargueiro, no radar da TAM está incluído o modelo A330-200 em sua versão de transporte de cargas que a Airbus EAD.PA pretende disponibilizar em 2009.

Segundo ele, na versão de passageiros, que a TAM possui 12 unidades, a aeronave tem capacidade de carga de até 22 toneladas em rotas para os Estados Unidos, volume que aumenta para 70 toneladas na versão cargueiro puro.

Mas ele lembrou que os quatro Boeings 777-300 que chegam este ano possuem capacidade de 35 toneladas de carga cada, metade da versão cargueira do A330-200. Por isso, a TAM está levando em conta essa capacidade maior em seus estudos. Sem revelar nomes, Rodrigues disse que grandes clientes já pediram para que a empresa tenha um cargueiro puro. "Isso não é tão fácil, mas estamos evoluindo", disse.

A companhia começa a promover na próxima semana campanha em que a área de cargas troca de nome de TAM Express para TAM Cargo. "O nome 'Express' no exterior lembrava 'courier' e isso não reflete a realidade de que temos uma empresa de cargas", disse diretora de marketing da TAM, Manoela Amaro.

Segundo Rodrigues, pressões de aumento dos custos, principalmente com combustíveis, por conta da contínua alta do petróleo, podem fazer a empresa reajustar os preços de fretes este ano. Em 2007 as tarifas de fretes foram aumentadas em três por cento, em média, para Europa e Estados Unidos e praticamente não foram alteradas no Brasil.

A expectativa do executivo é que a desvalorização do dólar continue a motivar o movimento de importações de encomendas, que atualmente compõem 60 por cento das receitas com cargas internacionais da empresa, com o restante sendo exportações. "Historicamente deveria ser o contrário (...) está difícil para exportador brasileiro colocar produto lá fora", afirmou Rodrigues.

(Reportagem de Alberto Alerigi Jr.; Edição de Taís Fuoco)