Debilitado, cartel mexicano de Tijuana recebe ex-líder

sábado, 15 de março de 2008 18:42 BRT
 

Por Lizbeth Díaz

TIJUANA, México (Reuters) - Um ex-chefe do cartel de drogas mexicano de Tijuana libertado nos Estados Unidos depois de 15 anos de prisão, regressou a um bando debilitado por enfrentamentos com o exército, enquanto seus rivais ganharam espaço.

O cartel da família Arellano Félix controlou por anos as rotas do contrabando de drogas na região da cidade da Tijuana, norte do México, na fronteira com San Diego, utilizando-se de torturas e execuções para manter sua liderança.

Mas no momento em que o mais velho dos irmãos do clã, Francisco Rafael Arellando Félix, retorna ao México depois de ser libertado, a organização agora dirigida por uma de suas irmãs perdeu terreno para seus inimigos.

"Seu tamanho foi reduzido de muitas maneiras. Não tem a penetração que tinha", disse Bruce Bagley, professor da Universidade de Miami, que estuda cartéis do México. Milhares de soldados e policiais mobilizados pelo presidente Fellipe Calderón têm cercado narcotraficantes, enquanto o poderoso cartel de Sinaloa tem se mobilizado a partir do oeste em direção ao território dos Arellano Félix.

Especialistas dizem que alguns dos traficantes de Tijuana estavam se separando e aliando-se ao cartel de Sinaloa, em alguns negócios de drogas.

Em outro golpe ao cartel dos Arellano Félix, um de seus mais altos operadores, Gustavo Rivera Martinez, foi preso dias atrás e está em processo de extradição aos Estados Unidos para enfrentar acusações relacionadas a tráfico de drogas.

Francisco Rafael Arellano Félix, libertado de uma prisão no Texas no início deste mês, encabeçou o cartel de Tijuana no auge de seu poder e opulência. Fontes, no entanto, dizem acreditar que ele agora manterá suas mãos fora do controle das operações do cartel, mantendo apenas um papel de "padrinho".

O cartel dos Arellano tem sido atingido também pela operação que levou milhares de soldados para Tijuana este ano. Além disso, um novo sistema de denúncia anônima levou à prisão 30 integrantes de médio escalão do bando.

Apesar dos reveses, o cartel está lutando ainda para manter a força na região de Tijuana e poucos esperam que a violência e os assassinatos diminuam.

Em 2007, confrontos deixaram mais de 2.500 pessoas mortas, mas a violência e a ofensiva do presidente Calderón não conseguiram impedir o tráfico de drogas.