15 de Abril de 2008 / às 21:12 / em 9 anos

Analistas esperam dados mas acreditam em grande área de petróleo

Por Andrei Khalip

RIO DE JANEIRO, 15 de abril (Reuters) - O diretor-geral da Agência Nacional de Petróleo, Haroldo Lima, pode ter agido de maneira prematura ao fornecer estimativa de uma nova reserva de grandes proporções na bacia de Santos ainda com poucos dados para sustentá-la, mas analistas têm poucas dúvidas sobre o potencial do país nessa área.

Falta ter certeza do potencial de bilhões de barris e a descoberta na área pré-sal em uma grande profundidade representa desafios tecnológicos e de custos, disseram eles.

Mas, de qualquer maneira, uma nova grande descoberta ainda em processo de avaliação em sequência ao anúncio, no ano passado, do grande campo de Tupi, alimenta as perspectivas do Brasil como um grande país petrolífero. Também reforça os argumentos de membros do governo que exigem uma fatia maior nos projetos de petróleo.

O analista sênior de energia da América Latina da consultoria Woods Mackenzie, Matthew Shaw, pediu cautela. Ele afirmou que muitas dúvidas permanecem quanto a Carioca e desacredita que haja tanto petróleo nesse campo.

Lima afirmou na segunda-feira que o local tem reservas de 33 bilhões de barris de óleo-equivalente (boe), citando dados obtidos informalmente junto à Petrobras (PETR4.SA)(PBR.N). Mais tarde, a ANP afirmou em comunicado que os dados são de domínio público pois circulam na mídia pelo menos desde fevereiro.

“Há obviamente um potencial de bilhões de barris, o que é muito significativo para o Brasil e para o mercado mundial de petróleo. Existe bastante animação e interesse, mas existem também muitas perguntas que precisam ser respondidas”, disse Shaw.

A Petrobras, que opera o projeto com a BG BG.L e a Repsol YPF (REP.MC), afirmou que são necessários mais estudos e perfurações, mas em momento algum qualquer uma das empresas negou a existência de estimativas similares.

Mauro Andrade, analista de petróleo da Deloitte Touche Tohmatsu, no Rio de Janeiro, afirmou que “não há fumaça sem fogo” e que a descoberta fez surgir uma onda de otimismo.

“Há um poço perfurado, outro sendo escavado e vários dados sísmicos que são agora muito mais precisos do que há alguns anos. Acho que eles têm uma avaliação preliminar, que pode não ser a melhor do mundo, mas existe”, disse Andrade.

“Alguém colocou Haroldo Lima lá, com certeza existe algo por trás. Já tínhamos bancos respeitados como o UBS mencionando essa descoberta, estimando que é maior do que Tupi. A BG, por exemplo, nunca negou essas estimativas”, completou o analista.

As ações tanto da BG quanto da Repsol YPF saltaram nesta terça-feira. A Petrobras, que subiu mais de 5 por cento na segunda-feira, ganhou mais um por cento.

Andrade disse que a descoberta pode colocar fogo em um debate que já ocorre sobre a participação do governo em projetos petrolíferos e uma possível mudança na maneira como o Brasil oferece concessões para produção e exploração de petróleo. O Brasil leiloa essas licenças anualmente em um processo aberto.

Alguns analistas sugeriram que o anúncio de Lima possa fazer parte de um esforço coordenado dentro da ala nacionalsita do governo, que pressiona por mudanças mais rápidas para garantir as reservas de alto potencial somente para o Brasil, limitando a participação estrangeira.

A estimativa sobre Carioca deve ser das reservas possíveis ou in-place, e não das recuperáveis, segundo analistas, o que pode reduzir a quantidade de petróleo recuperável em cerca de dois terços. Isso faria com que Carioca fosse um “supergigante”, como é chamado na indústria petrolífera, com mais de 5 bilhões de barris de petróleo.

“Lima defende mudanças na legislação com base em novas descobertas. É a linha dele, e pode haver outras forças trabalhando na mesma direção”, disse Carlos Lopes, analista político da SantaFé Idéias.

Ele afirmou haver “muito otimismo no setor político brasileiro” com as perspectivas após a descoberta de Tupi, já que o petróleo deve fazer do país mais que um líder regional.

Ainda assim, poucos acreditam que o Brasil se torne um grande exportador de petróleo em breve, e Lopes afirmou que propostas como associar-se à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não são consideradas sérias.

Reportagem adicional de Richard Valdmanis em Nova York

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