15 de Setembro de 2008 / às 12:51 / em 9 anos

Alitalia busca acordo com sindicatos para evitar colapso

Por Alberto Sisto

ROMA, 15 de setembro (Reuters) - Os maiores sindicatos de trabalhadores da Alitalia asseguraram um acordo inicial com os potenciais compradores da companhia na segunda-feira, aumentando expectativas de que a empresa possa evitar o colapso. Apesar disso, pilotos não concordaram de início e vôos foram ameaçados de ficar no chão por falta de dinheiro para compra de combustível.

Os quatro principais sindicatos da Itália -- de sigla CGIL, CISL, UIL e UGL em italiano -- e um consórcio que se ofereceu para comprar a Alitalia concordaram com um plano de resgate que cortará cerca de 3 mil empregos, mais preservará 12,5 mil trabalhadores da companhia. Milhares de outros estão em unidades que serão separadas da companhia.

“É um primeiro e importante passo”, disse Raffaele Bonanni, do sindicato CISL.

A autoridade de aviação civil informou no final de semana que a licença de operação de vôo da Alitália estava em risco, depois da companhia ter confirmado ter dificuldades em comprar combustível de fornecedores.

Ainda assim, o tráfego nos principais aeroportos internacionais de Roma e de Milão estava normal na segunda-feira, disseram autoridades dos aeroportos.

O presidente-executivo da petrolífera italiana ENI (ENI.MI), Paolo Scaroni, disse que a empresa não fornecerá combustível à Alitalia se ela não pagar adiantado.

“Nem mesmo se o Berlusconi ou o Papa me pedirem”, disse Scaroni ao jornal La Repubblica. “(A Eni) não pode fornecer combustível a companhias se elas não puderem pagar. Não há nenhuma persuasão moral -- acordos internacionais são claros.”

Não está claro se outros sindicatos menores, representando pilotos e comissários, irão concordar com os termos negociados por seus pares. Eles inicialmente ridicularizaram o acordo e questionaram o motivo de terem sido excluídos das conversas.

O ministro da Indústria, Claudio Scajola, advertiu que restavam apenas “algumas horas” para salvar a Alitalia AZPIa.MI, cujas ações estão suspensas desde junho.

Negociações de questões delicadas, como corte de salários, foram retomadas no final da manhã sem garantias de sucesso.

A Alitalia, que está sendo administrada por um grupo independente no processo de recuperação judicial, está em risco de se tornar a primeira grande companhia aérea européia a entrar em colapso desde a Swissair, em 2001.

A empresa, que já foi um símbolo do boom da Itália no pós-guerra, por anos sofreu com interferência política, disputas trabalhistas, problemas financeiros e, mais recentemente, com os altos preços dos combustíveis, que pressionam companhias aéreas ao redor do mundo.

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