Estudantes realizam paralisação contra discurso do papa

terça-feira, 15 de janeiro de 2008 15:00 BRST
 

Por Phil Stewart

ROMA (Reuters) - Estudantes italianos realizaram uma paralisação na terça-feira a fim de protestar contra os planos do papa Bento 16 de discursar na universidade mais famosa de Roma nesta semana.

A manifestação mais recente soma-se a várias que dividiram o país. O Vaticano afirmou que o pontífice faria um pronunciamento na universidade La Sapienza na quinta-feira, apesar dos protestos, classificados por pessoas da Igreja e de fora dela como uma tentativa de censura.

A polêmica começou com a assinatura de uma carta por 67 professores que descreveram o papa como um teólogo retrógrado responsável por colocar a religião antes da ciência. Segundo os professores, Bento 16 não deveria ter autorização de discursar.

A carta destacou um pronunciamento feito 20 anos atrás por Joseph Ratzinger (hoje papa Bento 16) e no qual o religioso justificaria o julgamento por heresia lançado pela Igreja no século 17 contra Galileu porque o pesquisador defendia que a Terra girava em torno do Sol. Os aliados do pontífice negam isso.

"Eu acho que a visita do papa não é algo positivo porque a ciência dispensa a religião. A universidade é um lugar aberto a todas as formas de pensamento. Mas a religião não é", afirmou Andrea Sterbini, professor de ciência da computação e um dos signatários da carta.

Ainda assim, o debate colocou alguns aliados inesperados ao lado do papa. Dario Fo, vencedor do Prêmio Nobel e um crítico contumaz da Igreja, defendeu o direito do papa de discursar. "Sou contra qualquer forma de censura porque o direito à livre expressão é sagrado", afirmou o escritor ao jornal La Repubblica.

Os protestos ampliaram-se para incluir italianos --alguns dos quais integrantes do atual governo-- que reclamam do peso excessivo da Igreja Católica dentro da sociedade italiana.

"Ninguém deseja calar o papa ou tentar negar-lhe o direito de expressão", afirmou Emma Bonino, ministra italiana de Assuntos da União Européia e membro do partido secular Rosa em Punho. "Acho preocupante o quadro com que nos deparamos hoje: o único que tem espaço para falar, a qualquer hora, é o papa."   Continuação...