CÂMBIO-Dólar acompanha cenário global e avança a R$1,63

sexta-feira, 15 de agosto de 2008 10:47 BRT
 

SÃO PAULO, 15 de agosto (Reuters) - O dólar operava em alta diante do real nesta sexta-feira, repetindo o comportamento da véspera com a valorização global da moeda norte-americana e com a queda do preço das matérias-primas.

Às 10h46, a divisa BRBY era cotada a 1,631 real, em alta de 0,25 por cento. Em agosto, o dólar já acumula ganho de quase 4,5 por cento.

O mercado brasileiro refletia o fortalecimento do dólar em todo o mundo. Para analistas do banco Goldman Sachs, a tendência de baixa da moeda norte-americana, válida pelos últimos dez anos, foi superada por causa da estabilização do crescimento dos Estados Unidos, da queda do petróleo e da piora do cenário econômico em outros países.

Nesta sessão, o dólar subia 0,53 por cento ante uma cesta com as principais moedas internacionais .DXY. O euro era cotado no menor nível desde fevereiro, a libra caía à mínima em dois anos, e o preço das commodities .CRB caía 0,90 por cento de acordo com o índice Reuters-Jefferies.

"Os mercados financeiros locais vão continuar sendo influenciados basicamente pela conjuntura internacional, principalmente porque nesta sexta-feira a agenda doméstica de indicadores está vazia", escreveu Miriam Tavares, diretora da AGK Corretora, em relatório.

"Neste caso, o comportamento do dólar ante as demais moedas e das commodities que compõem a pauta de exportações do país serão fundamentais para a formação dos preços dos ativos brasileiros", acrescentou.

O operador de câmbio de uma corretora nacional, que preferiu não ser identificado, disse que o mercado já comenta que o dólar "pode buscar (a cotação de) 1,65 real agora". A duração da alta, segundo ele, vai depender do cenário externo.

Os analistas do Goldman Sachs ressalvaram, no entanto, que a moeda brasileira ainda oferece alguma resistência à alta do dólar, por causa do crescimento e do superávit do balanço de pagamentos do país. De janeiro a junho, o Brasil acumula saldo positivo de 19,2 bilhões de dólares no balanço de pagamentos.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Vanessa Stelzer)