Lucro da Gol cai 60% no 4o tri e no acumulado de 2007

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008 16:52 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A Gol, segunda maior companhia aérea do país, divulgou na sexta-feira lucro líquido de 76,96 milhões de reais no quarto trimestre, queda de 60,2 por cento ante o ganho de 193,39 milhões de reais em igual período de 2006.

"O quarto trimestre de 2007 apresentou eventos não previstos que impactaram tanto a receita quanto as despesas. No mercado doméstico, restrições regulatórias aplicadas ao aeroporto de Congonhas (São Paulo) no quarto trimestre exigiram ajustes à malha aérea", afirmou o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Jr.

Segundo o executivo, isso reduziu as taxas de ocupação e aumentou os tempos de solo das aeronaves da companhia, que no ano passado adquiriu a Varig.

Além disso, de acordo com a analista Luciana Leocádio, da Ativa Corretora, "o grande vilão do trimestre para a Gol foi o aumento expressivo nos custos operacionais por assento (cask)", que subiram 10,6 por cento no quatro trimestre de 2007.

A analista citou em nota que a Varig foi o "calcanhar de aquiles da Gol. A companhia está pagando o preço por crescer em demasiado sua oferta de assento, em função da aquisição em um mercado de demanda retraída, devido à crise no setor".

No acumulado de 2007, a empresa teve lucro de 268,53 milhões de reais, contra 684,47 milhões de reais nos 12 meses do ano anterior, de acordo com os padrões contábeis brasileiros (BR Gaap).

A receita operacional líquida no quatro trimestre de 2007 foi de 1,3 bilhão de reais, 42,2 por cento maior se comparado ao ano anterior, de 954 milhões de reais. No ano, a receita alcançou 4,56 bilhões de reais, 27,5 por cento maior que em 2006.

O vice-presidente financeiro da Gol, Richard Lark, disse que a crise aérea, iniciada com a queda de aeronave da companhia, ocorrida em setembro de 2006 e que matou 154 pessoas, deve acabar ainda neste semestre. "O governo criou uma nova malha aérea e está treinando novos controladores. Isso ajudará a por um fim na crise no segundo trimestre deste ano."

Lark disse que o mercado doméstico deve continuar aquecido ao longo de 2008. "A demanda interna ainda continua forte e existem poucos aviões para serem vendidos ou arrendados no mercado internacional", justificou o executivo.   Continuação...