Paraguaio Lugo é recebido como estrela em cidade do Equador

segunda-feira, 16 de junho de 2008 14:51 BRT
 

Por Enrique Andrés Pretel

GUARANDA (Reuters) - O ex-bispo Fernando Lugo, presidente eleito do Paraguai, foi recebido como estrela nesta segunda-feira em Guaranda, uma pequena cidade nos Andes equatorianos onde passou vários anos de sua juventude como professor e missionário.

Lugo, acompanhado do presidente do Equador, Rafael Correa, foi aclamado por centenas de pessoas nas ruas da humilde cidade de 25.000 habitantes, na qual chegou pela primeira vez com 27 anos e recém-ordenado sacerdote.

"Muito emocionado, parece que não se passaram 30 anos. Que boas lembranças", disse Lugo à Reuters enquanto entrava na Universidade Estatal de Bolívar, a província mais pobre do Equador, onde foi nomeado doutor honoris causa.

"Descobri que a política não é má, é simplesmente uma ferramenta para devolver a dignidade àqueles de quem foi arrebatada", disse depois de receber o reconhecimento da instituição, em um discurso no qual lembrou de sua passagem pelo Equador.

Partidários de Lugo se amontoaram na cidade, situada a 2.000 metros de altitude, rompendo o forte cordão de segurança para tentar abraçar o ex-sacerdote.

Lugo quebrou seis décadas de domínio político do conservador Partido Colorado, no Paraguai, ao ser eleito em abril, portando a bandeira da mudança. O novo presidente renunciou ao bispado do departamento de San Pedro, em 2005, ao se declarar impotente para responder às necessidades da população.

O ex-bispo foi eleito em um só turno e por maioria simples, com o compromisso de derrotar a corrupção incrustada em um dos países mais pobres da América do Sul.

Formado na Teologia da Libertação, corrente católica progressista, o ex-bispo viveu em Guaranda e Endeandía entre 1978 e 1982, dando aulas de filosofia e realizando sua missão pastoral com as comunidades pobres e indígenas desta região no centro do Equador.

Lugo vai percorrer Bolívia, Equador e Venezuela para fortalecer relações bilaterais, em viagem vista com ressalvas por Washington pela retórica antinorte-americana destes países andinos.