Lula quer maioria funcionando para aprovar CPMF no Senado

terça-feira, 16 de outubro de 2007 17:12 BRST
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto integrantes do governo falam em negociar com a oposição para aprovar a prorrogação da CPMF no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou que os votos dos senadores da base aliada garantam a continuidade do imposto.

Em entrevista nesta terça-feira em Brazzavile, no Congo, segunda etapa de sua visita à África, Lula disse que o trabalho do governo não é discutir as dificuldades da aprovação da CPMF e sim fazer funcionar a maioria.

Os partidos que integram a base aliada ao governo no Senado têm 52 representantes e são necessários 49 votos (dois terços dos senadores) para aprovar a proposta de emenda constitucional que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. No Planalto, porém, a avaliação é de que o governo só tenha 43 votos assegurados.

"O nosso trabalho é construir a maioria numérica que nós temos dentro do Senado. Nós temos a maioria e temos que fazê-la funcionar para votar favoravelmente as coisas que o governo precisa votar", afirmou Lula em entrevista distribuída pela assessoria de imprensa do Planalto.

Lula reafirmou que quem precisa da CPMF é o país e não o governo, porque o Orçamento da União de 540 bilhões de reais do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) inclui a arrecadação do imposto.

"Eu espero que na hora em que algum senador votar contra, ele diga onde nós vamos arrumar 40 bilhões para fazer o que precisamos fazer. É só isso que eu quero, seriedade, nada mais que isso", cobrou.

Lula se disse favorável ao fim da CPMF a partir do momento em que o Orçamento da União tiver outra fonte para obter recurso igual. O presidente questionou a coerência de quem defende o fim do tributo e negocia sua divisão com Estados e municípios.

"Eu não acho compatível o discurso de quem quer mudar a CPMF e de quem sonha acabar com ela, tentar reparti-la. Se reparti-la com governos e com municípios, nunca mais acaba a CPMF. Esse é um dado político", disse Lula.