Moinhos pedem cota de 4 mi t para importar trigo sem imposto

quarta-feira, 16 de abril de 2008 12:27 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria processadora de trigo no Brasil pediu ao governo que aumente a cota livre de impostos para importação de trigo de fora do Mercosul, do volume atual de 1 milhão de toneladas para 4 milhões de toneladas, informou a Abitrigo, entidade que reúne os moinhos, nesta quarta-feira.

Luiz Martins, presidente do Conselho Deliberativo da Abitrigo, afirmou que o setor não acredita que a Argentina retomará as exportações de trigo e que, se o fizer, incluirá volumes insuficientes para atender à demanda brasileira.

A Argentina é tradicionalmente o principal fornecedor do Brasil, que importa cerca de 70 por cento do trigo que processa, mas o vizinho sul-americano tem restringido as vendas externas nos últimos meses, buscando preservar a oferta local do cereal.

Martins afirmou que os moinhos locais compraram até o momento 600 mil toneladas de trigo dos Estados Unidos e do Canadá para suprir a falta do cereal argentino.

"Efetivamente, as importações de trigo de origem norte-americana e canadense, dentro daquela cota de 1 milhão de toneladas sem tarifa, já está em curso", disse Martins.

"Eu diria que nesse momento estão vindo para o Brasil cerca de 600 mil toneladas", acrescentou, sem detalhar o volume específico de cada país de origem.

Martins afirmou que o pedido da indústria já foi encaminhado ao governo, que está analisando a proposta.

"Se o governo não retirar o imposto sobre as outras 3 milhões de toneladas, a indústria irá importar esse volume assim mesmo, infelizmente a um custo maior", declarou.

Segundo o dirigente, a eventual incidência da Tarifa Externa Comum (TEC) de 10 por cento sobre o trigo importado fora do Mercosul resultaria em um aumento de 16 por cento no preço final da farinha no Brasil.

(Por Roberto Samora)