CÂMBIO-Dólar segue tendência após dados nos EUA e cai ante real

quarta-feira, 16 de abril de 2008 10:56 BRT
 

SÃO PAULO, 16 de abril (Reuters) - O dólar operava em baixa ante o real nesta quarta-feira, seguindo a reação internacional a dados de inflação na Europa e nos Estados Unidos.

Às 10h55, a moeda norte-americana BRBY era cotada a 1,670 real, em baixa de 0,83 por cento.

Os preços ao consumidor nos Estados Unidos subiram menos do que o previsto em março, abrindo espaço para novos cortes do juro pelo Federal Reserve. Isso reduziria o apetite por aplicações na moeda norte-americana, que com isso perde valor.

Na mesma tendência, a zona do euro teve inflação recorde em março e passou a ver menos chances de um corte do juro básico. Isso levou a moeda única a um novo recorde nesta manhã, perto de 1,60 dólar.

"O dólar está bem para baixo, inclusive lá fora. É movimento global de novo", disse Marcelo Voss, economista-chefe da corretora Liquidez. "Se você pegar a queda (do dólar) nos emergentes, o real está dentro da média", completou.

No restante do mercado, o otimismo também favorecia a valorização do real. O risco Brasil 11EMJ caía 7 pontos-básicos, e as bolsas de valores em Nova York subiam cerca de 1 por cento com a supresa positiva em vários balanços corporativos.

No âmbito interno, a iminência da alta do juro pelo Banco Central abre mais espaço para operações de arbitragem, que trabalham a favor da queda do dólar. Voss, porém, afirmou que esse fator não exerce uma pressão especificamente mais forte na sessão desta quarta-feira.

Depois do fechamento do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) anuncia a decisão sobre a taxa Selic. O mercado espera uma alta de 0,25 a 0,50 ponto percentual.

No mercado futuro, continuou o movimento dos estrangeiros para desmontar posições compradas na moeda norte-americana. No final de terça-feira, esses agentes detinham pouco mais de 1 bilhão de dólares nessas posições, que apostam na alta da moeda. No começo do mês, os estrangeiros chegaram a ficar comprados em quase 5 bilhões de dólares.

(Por Silvio Cascione; Edição de Vanessa Stelzer)