Greve da receita já ameaça interromper montadoras, diz setor

quarta-feira, 16 de abril de 2008 12:33 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O setor de autopeças já trabalha "no limite" como consequência da greve dos auditores fiscais da Receita Federal, que impõe dificuldades à importação de insumos, e já vislumbra a perspectiva de provocar interrupções às linhas de montagem das montadoras, afirmou um representante da indústria nesta terça-feira.

"Nós estamos no limite, estamos no limite do atendimento das montadoras", afirmou a jornalistas Antonio Meduna, membro do conselho de administração do Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).

"O problema vai começar no próprio setor de autopeças, que vai acabar fazendo uma parada na linha das montadoras, por conta das importações paradas."

Meduna esteve em Brasília, acompanhando o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, para tratar do problema da greve com autoridades do governo.

Após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, Schneider disse que uma de suas principais preocupações é com relação à possível interrupção de exportações de peças e automóveis.

"Esses mercados não vão ficar nos esperando, esses mercados vão buscar produtos em outros lugares, e isso significa que nós vamos perder presença potencialmente nesses mercados", disse o presidente da Anfavea a jornalistas.

Os auditores fiscais de todo o país estão em greve desde o dia 18 de março reivindicando reajustes salariais. O movimento afeta principalmente as importações, que exigem mais fiscalização. No setor automotivo, contudo, boa parte das exportações depende da importação de insumos.

Meduna disse que até o momento o setor tem recorrido ao transporte aéreo para driblar as dificuldades impostas pela greve. Mas, mesmo com custos até 10 vezes maiores que o transporte marítimo, a alternativa aérea está próxima do esgotamento devido ao sobrecarregamento dos aeroportos.

Ele cobrou uma solução de longo prazo para os auditores fiscais, que nos últimos anos promoveram greves frequentes.

"Não é um movimento que está acontecendo agora. Já aconteceu no ano passado e no ano anterior, alguma coisa precisaria ser feita para você ter um horizonte de longo prazo. Não se admite greve anual", afirmou.

(Reportagem de Isabel Versiani)