16 de Julho de 2008 / às 22:11 / em 9 anos

Lula quer permanência de delegado da PF no caso Dantas

<p>Daniel Dantas, investigado pela PF na opera&ccedil;&atilde;o Satiagraha. Photo by Jamil Bittar</p>

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira a permanência do delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, no comando das investigações da Operação Satiagraha.

Queiroz e mais dois delegados que estiveram à frente da operação vão deixar o caso na sexta-feira. A direção da PF afirmou que a saída de Queiroz se deve à necessidade de fazer um curso de especialização, exigido para promover delegados com 10 anos de profissão.

Fontes próximas ao delegado comentaram que sua saída foi resultado de pressão política depois que vieram à tona conversas telefônicas do chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho.

Em entrevista a jornalistas no Palácio do Planalto, Lula buscou afastar os rumores de que o delegado teria sido punido pelo governo.

“A única coisa que queremos neste caso é responsabilidade. Vender insinuações é que não é correto”, disse Lula, para quem Protógenes Queiroz tem obrigação “moral” de concluir o relatório depois de ter conduzido as investigações por quatro anos.

Lula contou já ter conversado com o ministro da Justiça, Tarso Genro, sobre o assunto. Ele quer que o delegado declare publicamente se quer deixar as investigações.

“Passar a idéia de que foi afastado é má fé”, disse o presidente.

Perguntado se a informação passada por Gilberto Carvalho a Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do banqueiro Daniel Dantas, preso na operação da PF, deixaria seu chefe de gabinete em posição delicada, Lula defendeu o subordinado.

“Se você ligar para mim, quem vai atender o telefone é o Gilberto. Peça a Deus que o telefone não esteja gravado”, ironizou o presidente.

O discurso adotado pelo governo é de que Gilberto Carvalho estaria cumprindo o papel dele de servir de filtro a quem tenta chegar ao presidente.

NOTA DA PF Em nota divulgada nesta quarta-feira em seu site, a PF afirma que recusou proposta de Protógenes Queiroz de continuar responsável por um dos três inquéritos instaurados a partir da Operação Satiagraha, trabalhando aos fins de semana.

Queiroz teria feito a proposta de conduzir o inquérito aos sábados e domingos, em reunião na última segunda-feira, pela necessidade de frequentar o Curso Superior de Polícia a que ganhou na Justiça o direito de frequentar.

“A sugestão não foi acatada já que traria prejuízo às pessoas convidadas a prestar esclarecimentos, comprometendo também a celeridade da apuração”, diz a nota da PF.

A nota acrescenta que uma autorização a Queiroz quebraria a regra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantes na fase presencial.

“Diante dos argumentos, o delegado Queiroz comprometeu-se a relatar o inquérito até o dia 18 de julho, alegando que o procedimento estaria praticamente concluído com os resultados das investigações realizadas até então.”

Ainda de acordo com a nota da PF, Queiroz manifestou o desejo de não atuar junto aos outros dois inquéritos depois de concluir o curso superior.

A nota diz também que a delegada Karina Souza, outra que deixará o caso, pediu para não continuar conduzindo o inquérito pelo qual era responsável alegando “razões pessoais”.

A PF afirma na nota que o delegado Carlos Eduardo Pelegrine, o terceiro a deixar o caso, não integrava a equipe de investigação e estava cedido para auxiliar na fase ostensiva. (Reportagem de Fernando Exman)

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below