EUA podem sofrer choque de US$2 tri nos empréstimos--Goldman

sexta-feira, 16 de novembro de 2007 12:45 BRST
 

LONDRES, 16 de novembro (Reuters) - O impacto da crise do mercado hipotecário dos Estados Unidos sobre a economia como um todo pode ser "dramático", pois os investidores alavancados podem ter que reduzir os empréstimos em até 2 trilhões de dólares, segundo o banco de investimento Goldman Sachs (GS.N: Cotações).

Em um relatório de 15 de novembro, o economista-chefe do Goldman para os Estados Unidos, Jan Hatzius, disse que um cálculo "grosseiro" --baseado nas experiências anteriores de inadimplência-- apontava perdas de cerca de 400 bilhões de dólares nas hipotecas concedidas.

Mas, diferentemente dos prejuízos no mercado acionário, que são normalmente absorvidos por investidores com posições compradas, esse abalo nas hipotecas afeta principalmente investidores alavancados como bancos, corretoras, hedge funds e empreendimentos financiados pelo governo.

E os investidores alavancados reagem às perdas com o corte dos financiamentos, para evitar uma queda na relação de capital. Um banco que tenha meta de relação de capital de 10 por cento, por exemplo, precisa reduzir seu balanço em 10 dólares para cada dólar perdido.

"As consequências macroeconômicas podem ser bem dramáticas", disse Hatzius em nota a clientes. "Se os investidores alavancados ficarem com 200 bilhões de dólares do prejuízo de 400 bilhões de dólares, eles podem precisar diminuir os empréstimos em 2 trilhões de dólares."

"Esse é um grande choque", afirmou, acrescentando que o número representa 7 por cento da dívida total dos setores não-financeiros dos Estados Unidos.

Hatzius disse que um choque como esse produziria "uma recessão significativa" se ocorresse em um período de um ano, e um longo período de crescimento fraco se ocorresse em um período de 2 a 4 anos.

Uma das advertências do relatório era de que as previsões básicas sobre a economia podem já incluir significativas reduções no financiamento imobiliário. Mas a conclusão continuou sombria.

"As prováveis perdas com o crédito imobiliário representam um risco macroeconômico significativamente maior do que geralmente é reconhecido", escreveu. "Ainda que a incerteza seja grande, a pressão negativa associada ao crédito aumenta o risco de fraqueza na atividade econômica."