Donas de parte do pré-sal,empresas portuguesas preferem cautela

quarta-feira, 16 de abril de 2008 17:28 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As empresas portuguesas da área de energia Galp Energia e Partex estão entusiasmadas com os blocos que possuem na área pré-sal no Brasil, mas consideram ainda muito cedo para estimar o volume de petróleo que poderão encontrar.

Assim como a Petrobras, parceira nos blocos localizados na bacia de Santos, as empresas preferem esperar mais estudos para comemorar o que fez com que um desses blocos fosse batizado de "Caramba".

"Não tinha outro nome para dar, quando fizemos o primeiro furo dissemos: Caramba! Felizmente a nossa posição no Brasil é bastante cobiçada, por isso temos que ser bastante cautelosos", disse em um seminário o presidente da Galp Energia do Brasil, Ricardo Peixoto.

Ele não quis antecipar o que espera dos quatro blocos que a empresa possui na área pré-sal da bacia de Santos. Além dos 10 por cento no campo de Tupi, onde já foram estimadas reservas recuperáveis de entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural, a empresa está no campo de Júpiter, onde tem 20 por cento; e nos blocos Caramba (BMS21), com 20 por cento; e Bem-te-vi (BMS8) com 14 por cento.

"Começamos com o pé-direito, mas em 2000, quando entramos no Brasil, a bacia de Santos era 'quixotesca' e muitas 'majors' não quiseram entrar", comemorou Peixoto, informando que desde o anúncio de Tupi as ações da companhia subiram dos 5,60 euros em outubro de 2006 para 20 euros atualmente.

No momento, a empresa aguarda resultados do poço perfurado no bloco de Caramba, que já comprovou a ocorrência de uma jazida de petróleo leve mas ainda não foi testado, já que a sonda que estava no local foi para o bloco de Bem-te-vi, a fim de garantir a continuidade das operações no local, que tem data limite este ano para ser notificado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"Estamos cumprindo nosso programa exploratório, não vamos perder nenhum bloco dessa área", disse Peixoto sem dar detalhes de prazos. "Acreditamos que nossa participação no pré-sal brasileiro, apesar de muitas indefinições, é muito promissora", limitou-se a declarar.

A empresa já investiu 170 milhões de dólares no Brasil desde 2000, incluindo a perfuração na área pré-sal, mas não tem estimativa de quanto ainda terá que colocar para desenvolver os blocos. "Vamos avaliar os investimentos de acordo com os resultados", explicou, ressaltando que a empresa não terá nenhuma dificuldade de acompanhar os altos investimentos na região, considerada um desafio tecnológico para o Brasil.   Continuação...