April 16, 2008 / 7:55 PM / 9 years ago

Donas de parte do pré-sal,empresas portuguesas preferem cautela

5 Min, DE LEITURA

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - As empresas portuguesas da área de energia Galp Energia e Partex estão entusiasmadas com os blocos que possuem na área pré-sal no Brasil, mas consideram ainda muito cedo para estimar o volume de petróleo que poderão encontrar.

Assim como a Petrobras, parceira nos blocos localizados na bacia de Santos, as empresas preferem esperar mais estudos para comemorar o que fez com que um desses blocos fosse batizado de "Caramba".

"Não tinha outro nome para dar, quando fizemos o primeiro furo dissemos: Caramba! Felizmente a nossa posição no Brasil é bastante cobiçada, por isso temos que ser bastante cautelosos", disse em um seminário o presidente da Galp Energia do Brasil, Ricardo Peixoto.

Ele não quis antecipar o que espera dos quatro blocos que a empresa possui na área pré-sal da bacia de Santos. Além dos 10 por cento no campo de Tupi, onde já foram estimadas reservas recuperáveis de entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo e gás natural, a empresa está no campo de Júpiter, onde tem 20 por cento; e nos blocos Caramba (BMS21), com 20 por cento; e Bem-te-vi (BMS8) com 14 por cento.

"Começamos com o pé-direito, mas em 2000, quando entramos no Brasil, a bacia de Santos era 'quixotesca' e muitas 'majors' não quiseram entrar", comemorou Peixoto, informando que desde o anúncio de Tupi as ações da companhia subiram dos 5,60 euros em outubro de 2006 para 20 euros atualmente.

No momento, a empresa aguarda resultados do poço perfurado no bloco de Caramba, que já comprovou a ocorrência de uma jazida de petróleo leve mas ainda não foi testado, já que a sonda que estava no local foi para o bloco de Bem-te-vi, a fim de garantir a continuidade das operações no local, que tem data limite este ano para ser notificado à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"Estamos cumprindo nosso programa exploratório, não vamos perder nenhum bloco dessa área", disse Peixoto sem dar detalhes de prazos. "Acreditamos que nossa participação no pré-sal brasileiro, apesar de muitas indefinições, é muito promissora", limitou-se a declarar.

A empresa já investiu 170 milhões de dólares no Brasil desde 2000, incluindo a perfuração na área pré-sal, mas não tem estimativa de quanto ainda terá que colocar para desenvolver os blocos. "Vamos avaliar os investimentos de acordo com os resultados", explicou, ressaltando que a empresa não terá nenhuma dificuldade de acompanhar os altos investimentos na região, considerada um desafio tecnológico para o Brasil.

Desafio que se bem-sucedido poderá colocar o país entre os dez maiores produtores de petróleo e transformá-lo em exportador, aposta o diretor-geral da Partex Oil and Gas Brasil, Álvaro Ribeiro.

Dona de 10 por cento de um bloco também na área pré-sal, o BMS10, em parceria com a Petrobras (65 por cento) e BG (25 por cento), a Partex considera que o risco exploratório já foi ultrapassado e agora o desafio é o risco do desenvolvimetno dos blocos.

"Não se sabe como o reservatório vai se comportar...mas estamos convencidos que a sísmica já deu muito e pode dar ainda mais, vamos furar mais dois poços por lá (BMS10)", informou.

Ele disse já ter uma estimativa de produção do bloco, "mas que não irei divulgar", assim como estima "investimentos muito altos", sem dizer a cifra.

Tanto mistério, compartilhado também pelo presidente da Galp, demonstra a cautela com que a indústria do petróleo começa a lidar com assuntos envolvendo a área pré-sal do país.

"Ninguém vai falar nada por um bom tempo, principalmente em relação a investimentos, ninguém quer ajudar os concorrentes a saberem quanto precisa para investir no pré-sal, o governo tirou 41 blocos na última rodada (da ANP) e pode ser que eles voltem", explicou um executivo presente no evento e que pediu para não ser identificado.

Edição de Marcelo Teixeira

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