Mercado desmonta aposta de risco e afeta real, diz banco dos EUA

sexta-feira, 16 de novembro de 2007 15:39 BRST
 

Por Jeremy Gaunt

LONDRES (Reuters) - A compra de ienes por investidores institucionais ganhou força, e esses agentes estão com exposição acima da média na moeda pela primeira vez desde junho de 2006, afirmou nesta sexta-feira a empresa norte-americana de serviços financeiros State Street.

A companhia também afirmou em nota que moedas de alto rendimento como o real e o dólar neozelandês estão sendo vendidas "agressivamente".

Juntos, esses dois movimentos sugerem um desmonte significativo dos "carry trades". Nesse tipo de operação, os investidores tomam empréstimos em moedas de baixo rendimento, como o iene, e aplicam em países com retorno mais alto.

"Uma nova onda de aversão ao risco certamente está preocupando os mercados de câmbio", escreveu o banco.

Os empréstimos em ienes têm sido um fator-chave do investimento global nos últimos anos. Analistas têm alertado que uma volta do capital ao iene, particularmente por investidores japoneses, pode ter implicações negativas mais amplas para as ações e os bônus.

Uma correlação próxima foi notada, por exemplo, entre a alta do iene e a queda das ações européias --ainda que muito disso reflita flutuações diárias no interesse dos investidores em se expor ao risco.

O State Street monitora os movimentos entre investidores institucionais baseado na compra e venda dos 15,1 trilhões de dólares em ativos de clientes que tem em custódia.

Ele apontou que o fluxo para o iene foi robusto nas últimas duas semanas, mas que a sobreexposição à moeda cresceu de forma modesta.

No mercado brasileiro, o aumento da aversão ao risco fez o dólar subir ante o real até segunda-feira em quatro sessões seguidas. Ainda assim, a taxa de câmbio recuou na quarta-feira para o menor nível desde março de 2000.