PT defende Chávez e liga monarquia espanhola a fascismo

sexta-feira, 16 de novembro de 2007 18:30 BRST
 

BRASÍLIA (Reuters) - O PT, partido a que pertence o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atacou os críticos do ingresso da Venezuela no Mercosul e, em defesa do presidente Hugo Chávez, vinculou a monarquia espanhola ao fascismo.

A posição foi exposta pelo secretário de Relações Internacionais do partido, Valter Pomar, em um artigo publicado no site do partido na internet, no qual o dirigente comentou o recente incidente entre o rei da Espanha, Juan Carlos, e Chávez.

"Para quem não lembra, a República espanhola foi esmagada por um levante fascista, que restaurou a monarquia. Depois da morte de Franco, Juan Carlos foi coroado e jogou um papel no mínimo controverso no processo de redemocratização", escreveu Pomar, que lidera uma tendência mais à esquerda que a do presidente Lula no partido.

Na recente Cúpula Ibero-Americana, no Chile, Juan Carlos mandou Chávez se calar quando o presidente venezuelano sustentava uma discussão com o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, que defendia seu antecessor, José María Aznar, chamado de fascista por Chávez.

"Que autoridade moral tem um monarca para mandar calar a boca de alguém que foi eleito pelo povo?", perguntou o dirigente do PT em conversa por telefone com a Reuters nesta sexta-feira.

"Toda a direita, os reacionários do mundo, querem calar Chávez e se agarraram à frase do rei, um monarca que teve uma relação muito específica com o fascismo", acrescentou Pomar.

Quando voltou a Caracas, Chávez anunciou que submeteria os vínculos da Venezuela com a Espanha a uma revisão e indicou que também reveria a fundo a atuação de empresas espanholas em seu país.

Segundo Pomar, "calar Chávez é o sonho de muita gente".

Ele ressaltou que não compartilha do estilo confrontador do presidente venezuelano e disse que Aznar "é um reacionário assumido que dedica grande parte de seu tempo a viajar pelo mundo em campanha contra a esquerda".

O dirigente do partido de Lula criticou ainda os parlamentares brasileiros que se manifestaram contrários ao ingresso da Venezuela no Mercosul, integrado por Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.

O processo de adesão venezuelana ainda não foi referendado pelos Congressos do Brasil e do Paraguai.