October 23, 2007 / 3:25 AM / 10 years ago

RPT-VALE não vê problema para financiar investimentos

5 Min, DE LEITURA

(Repete matéria publicada na madrugada de terça-feira)

Por Steve James e Walter Brandimarte

NOVA YORK, 16 de outubro (Reuters) - A Companhia Vale do Rio Doce (VALE5.SA), maior produtora mundial de minério de ferro, anunciou na segunda-feira que o financiamento de seu plano de investir 59 bilhões de dólares em cinco anos não é problema.

A empresa, no entanto, se mostrou preocupada com os altos custos de energia e problemas de transporte no Brasil.

A empresa, cuja ação dobrou de preço levando seu valor de mercado a quase 160 bilhões de dólares desde agosto, disse que contará com o fluxo de caixa decorrente da venda de metais nos preços atuais para financiar o plano.

"Nosso investimento foi limitado por questões físicas, não por questões financeiras", disse o presidente-executivo da Vale, Roger Agnelli, em entrevista coletiva na Bolsa de Valores de Nova York. "Poderíamos ter ido além dos 11 bilhões de dólares em 2008."

Na semana passada, a Vale anunciou que planeja investir 59 bilhões de dólares entre 2008 e 2012 para mais que dobrar sua produção de cobre, expandir a produção de minério de ferro e de níquel, e desenvolver a produção de alumínio. A empresa destinou 11 bilhões de dólares para o primeiro ano de vigência do plano.

"Nosso investimento em 2008 não foi limitado por um elemento financeiro, mas por questões técnicas, de engenharia ou equipamento e trabalhistas, além da questão de obtenção de licenças ambientais", disse Agnelli.

Ele acrescentou que a infra-estrutura, como estradas e energia, é questão-chave em alguns projetos de mineração e boa parte do investimento será usada na melhora da logística em portos e estradas.

O executivo reclamou ainda que os altos custos de energia no país. "O Brasil precisa gerar mais energia. Seu potencial hidrelétrico não foi usado", opinou.

Como exemplo, Agnelli citou que o Brasil tem enormes reservas de bauxita, principal minério do alumínio, mas as fundições de alumínio exigem grandes quantidades de eletricidade.

"Estamos olhando para a América do Sul e para a África que justificariam um projeto de alumínio", disse.

Apesar de a energia hidrelétrica ser a mais barata do Brasil, a Vale vai buscar fontes como o gás para reduzir custos. "Precisamos achar uma fonte barata para construir uma fundição."

Mas os investimentos em novas minas de menor custo, aliado às melhoras de eficiência e automação devem ajudar a companhia a reduzir seus custos de produção para os níveis verificados em 2004.

"Nosso objetivo é voltar para o nível de custos de 2004. Alcançamos o pico no ano passado e já estamos reduzindo isso um pouco."

Agnelli disse que 2,8 bilhões de dólares dos 59 bilhões de dólares do plano de investimento da empresa --o equivalente a 5 por cento-- serão usados na proteção ambiental. A empresa gastou 375 milhões de dólares neste ano em "responsabilidade ambiental". Em 2008, segundo Agnelli, serão gastos 475 milhões de dólares nesse setor.

Questionado sobre se a Vale aposta na continuidade do crescimento industrial chinês, Agnelli disse: "Acreditamos que o crescimento chinês será bastante forte e que a Índia não ficará muito atrás".

O executivo se recusou a especular sobre o novo preço do minério de ferro que será negociado neste ano.

O preço do minério de ferro, matéria-prima vital para a siderurgia, subiu 71,5 por cento em 2005, 19 por cento em 2006 e 9 por cento neste ano.

Com vários projetos iniciando a operação em 2008, a proporção da dívida da Vale contra seu lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) deve cair nos próximos anos, disse Agnelli.

O nível da dívida atual da companhia está em cerca de 19 bilhões de dólares.

Colaborou Herbert Lash

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