Fundos de private equity exigem melhor supervisão--UNCTAD

terça-feira, 16 de outubro de 2007 18:13 BRST
 

Por Laura MacInnis

GENEBRA (Reuters) - Os países pobres deveriam limitar sua exposição a fundos de private equity, opinou na terça-feira a agência de desenvolvimento e comércio da Organização das Nações Unidas, em um apelo para que se aumente a supervisão sobre investimentos desse tipo.

O secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, creditou o aumento de 38 por cento no investimento estrangeiro direto em todo o mundo no ano passado a uma avalanche de fusões de empresas de países diferentes e a aquisições, apoiadas amplamente pela atividade de fundos de private equity.

Por terem normalmente um horizonte de curto prazo e por serem inclinados a vender ativos das companhias em busca de um rápido retorno sobre o investimento, Supachai disse que os grupos de private equity não são os parceiros ideais de financiamento para países onde a mineração e outros setores precisam de suporte externo estável.

"Esse investimento de curto prazo pode algumas vezes desestabilizar países", disse ele a jornalistas.

Para Supachai, os investimentos de private equity deveriam ser monitorados, e os países precisam ser alertados sobre os riscos e devem buscar outras fontes de financiamento quando possível.

Em seu relatório anual sobre investimentos no mundo, a Unctad disse que o investimento direto estrangeiro totalizou 1,31 trilhão de dólares em 2006, perto do recorde estabelecido em 2000, ano de estouro da bolha da Internet. Depois disso, o fluxo de recursos entre países caiu drasticamente antes de se recuperar.

A cifra do ano passado inclui 880 bilhões de dólares usados para fusões e aquisições envolvendo corporações de países distintos, com 172 acordos avaliados em mais de 1 bilhão de dólares cada.

Private equities, fundos mútuos e hedge funds estiveram diretamente envolvidos em 18 por cento de todos os negócios corporativos internacionais no ano passado --o que representa 158 bilhões de dólares--, contra 12 por cento em 2005.   Continuação...