23 de Outubro de 2007 / às 03:30 / 10 anos atrás

Fundos de private equity exigem melhor supervisão--UNCTAD

Por Laura MacInnis

GENEBRA (Reuters) - Os países pobres deveriam limitar sua exposição a fundos de private equity, opinou na terça-feira a agência de desenvolvimento e comércio da Organização das Nações Unidas, em um apelo para que se aumente a supervisão sobre investimentos desse tipo.

O secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, creditou o aumento de 38 por cento no investimento estrangeiro direto em todo o mundo no ano passado a uma avalanche de fusões de empresas de países diferentes e a aquisições, apoiadas amplamente pela atividade de fundos de private equity.

Por terem normalmente um horizonte de curto prazo e por serem inclinados a vender ativos das companhias em busca de um rápido retorno sobre o investimento, Supachai disse que os grupos de private equity não são os parceiros ideais de financiamento para países onde a mineração e outros setores precisam de suporte externo estável.

"Esse investimento de curto prazo pode algumas vezes desestabilizar países", disse ele a jornalistas.

Para Supachai, os investimentos de private equity deveriam ser monitorados, e os países precisam ser alertados sobre os riscos e devem buscar outras fontes de financiamento quando possível.

Em seu relatório anual sobre investimentos no mundo, a Unctad disse que o investimento direto estrangeiro totalizou 1,31 trilhão de dólares em 2006, perto do recorde estabelecido em 2000, ano de estouro da bolha da Internet. Depois disso, o fluxo de recursos entre países caiu drasticamente antes de se recuperar.

A cifra do ano passado inclui 880 bilhões de dólares usados para fusões e aquisições envolvendo corporações de países distintos, com 172 acordos avaliados em mais de 1 bilhão de dólares cada.

Private equities, fundos mútuos e hedge funds estiveram diretamente envolvidos em 18 por cento de todos os negócios corporativos internacionais no ano passado --o que representa 158 bilhões de dólares--, contra 12 por cento em 2005.

As economias desenvolvidas receberam 857 bilhões de dólares e os países em desenvolvimento abocanharam outros 379 bilhões de dólares no ano passado, segundo a Unctad. Os principais receptores de investimentos foram os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a França.

A China continental permaneceu como o país emergente a atrair mais investimentos, embora o fluxo de capital para o país tenha recuado pela primeira vez em sete anos, ficando em 69 bilhões de dólares em 2006, ante 72 bilhões em 2005.

Na mesma categoria, Hong Kong aparece em seguida, com 43 bilhões de dólares de investimento estrangeiro direto no ano passado.

A América Latina recebeu investimentos diretos de 84 bilhões de dólares no ano passado, crescimento de 11 por cento. Brasil e México aparecem no topo da lista da região, com investimento direto de 19 bilhões de dólares em cada um dos países. O fluxo de capital externo para Venezuela, Colômbia e Argentina caiu no ano passado.

A Unctad acredita que o investimento direto estrangeiro em todo o mundo deverá subir novamente este ano, embora a um ritmo menor devido à recente crise global no setor de crédito.

As fusões e aquisições entre fronteiras somaram 581 bilhões de dólares no primeiro semestre, expansão de 58 por cento contra igual período de 2006, segundo a Unctad.

Não havia dados disponíveis sobre os últimos meses, quando as pressões vindas da crise do setor hipotecário dos EUA atingiu bancos e causou turbulências nos mercados financeiros globais.

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