Argentina nega que tenha multado Bolívia por gás

sexta-feira, 16 de novembro de 2007 18:35 BRST
 

LA PAZ (Reuters) - A petrolífera argentina Enarsa negou nesta sexta-feira que tenha multado sua equivalente boliviana YPFB por causa do fornecimento de gás natural abaixo do volume mínimo contratado. A empresa anunciou que no dia 7 de dezembro será realizada uma reunião binacional para avaliar a operação.

A aplicação de uma suposta multa de 10 milhões de dólares à YPFB pela Enarsa foi revelada nesta sexta-feira pelo jornal boliviano La Razón, citando "altas fontes" do poder executivo da Bolívia.

O presidente da Enarsa, Exequiel Espinosa, confirmou que a petrolífera argentina pediu explicações à YPFB pela significativa redução do envio de gás, mas assegurou que não há conflito entre as partes.

"Quero desestimular totalmente uma versão alarmista sobre cobrança de multa, esse não é o nosso espírito nem o espírito do contrato (de compra e venda de gás natural assinado em outubro de 2006 entre YPFB e Enarsa)", disse Espinosa à cadeia de rádio boliviana Erbol e à televisão estatal argentina.

"Não aplicamos nenhuma multa, não existe nenhuma multa, o que existe é um volume de gás que não veio de acordo com o que diz o contrato, e para isto o contrato prevê a formação de um comitê que analisará as diferenças do que espera Argentina e o que a Bolívia lhe dá", complementou.

O presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa, que está em Buenos Aires, afirmou ao canal estatal argentino que o envio de gás para a Argentina está normal e que tudo será esclarecido durante a reunião binacional.

Espinosa admitiu que havia "diferenças significativas", de até 1,5 milhão de metros cúbicos diários de gás entre a demanda da Enarsa e a oferta da YPFB, mas admitiu que a empresa boliviana "poderá dar explicações satisfatórias" para "dar um curso favorável à reclamação sobre o volume".

Segundo a publicação, que confirmou um anúncio prévio do governo boliviano, nos últimos três meses a Bolívia havia diminuído o envio de gás à Argentina --que segundo o contrato deveria oscliar entre 4,6 e 7,7 milhões de metros cúbicos-- para atender um pedido extraordinário do Brasil, de envio de até 32 milhões de metros cúbicos.

As fontes citadas pelo La Razón disseram que a Enarsa protestou porque desde o dia 1o de setembro a YPFB entrega apenas 2,6 milhões de metros cúbicos de gás por dia.   Continuação...