16 de Novembro de 2007 / às 20:31 / 10 anos atrás

Argentina nega que tenha multado Bolívia por gás

LA PAZ (Reuters) - A petrolífera argentina Enarsa negou nesta sexta-feira que tenha multado sua equivalente boliviana YPFB por causa do fornecimento de gás natural abaixo do volume mínimo contratado. A empresa anunciou que no dia 7 de dezembro será realizada uma reunião binacional para avaliar a operação.

A aplicação de uma suposta multa de 10 milhões de dólares à YPFB pela Enarsa foi revelada nesta sexta-feira pelo jornal boliviano La Razón, citando “altas fontes” do poder executivo da Bolívia.

O presidente da Enarsa, Exequiel Espinosa, confirmou que a petrolífera argentina pediu explicações à YPFB pela significativa redução do envio de gás, mas assegurou que não há conflito entre as partes.

“Quero desestimular totalmente uma versão alarmista sobre cobrança de multa, esse não é o nosso espírito nem o espírito do contrato (de compra e venda de gás natural assinado em outubro de 2006 entre YPFB e Enarsa)”, disse Espinosa à cadeia de rádio boliviana Erbol e à televisão estatal argentina.

“Não aplicamos nenhuma multa, não existe nenhuma multa, o que existe é um volume de gás que não veio de acordo com o que diz o contrato, e para isto o contrato prevê a formação de um comitê que analisará as diferenças do que espera Argentina e o que a Bolívia lhe dá”, complementou.

O presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa, que está em Buenos Aires, afirmou ao canal estatal argentino que o envio de gás para a Argentina está normal e que tudo será esclarecido durante a reunião binacional.

Espinosa admitiu que havia “diferenças significativas”, de até 1,5 milhão de metros cúbicos diários de gás entre a demanda da Enarsa e a oferta da YPFB, mas admitiu que a empresa boliviana “poderá dar explicações satisfatórias” para “dar um curso favorável à reclamação sobre o volume”.

Segundo a publicação, que confirmou um anúncio prévio do governo boliviano, nos últimos três meses a Bolívia havia diminuído o envio de gás à Argentina --que segundo o contrato deveria oscliar entre 4,6 e 7,7 milhões de metros cúbicos-- para atender um pedido extraordinário do Brasil, de envio de até 32 milhões de metros cúbicos.

As fontes citadas pelo La Razón disseram que a Enarsa protestou porque desde o dia 1o de setembro a YPFB entrega apenas 2,6 milhões de metros cúbicos de gás por dia.

“A Enarsa enviou uma carta para a YPFB no final do mês de outubro pedindo a aplicação do ‘delivery or pay’ (entregue ou pague) pelo descumprimento no fornecimento do volume mínimo fixado no convênio assinado em outubro de 2006 (...) no dia 28 de outubro, a YPFB refutou a carta, afirmando ser (a carta) improcedente”, acrescentou.

As exportações de gás para o Brasil e Argentina e a crescente demanda interna da Bolívia, colocaram em uma situação de limite a indústria de hidrocarbonetos boliviana, cuja capacidade atual de produção é de 45 milhões de metros cúbicos por dia, segundo o governo.

Morales nacionalizou a indústria petrolífera em maio de 2006 e atualmente negocia grandes investimentos com petrolíferas estrangeiras para cumprir compromissos firmados anteriormente, como o bombeamento de até 27,7 milhões de metros cúbicos de gás para a Argentina na próxima década.

Pelo contrato que a Bolívia assinou com o Brasil em 1999 com prazo de 20 anos, o gás produzido naquele país atende prioritariamente o mercado interno, depois o mercado brasileiro e em terceiro lugar a Argentina.

Por Carlos Alberto Quiroga

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