Quintão elogia esquerda após questionar prisão política de rival

quinta-feira, 16 de outubro de 2008 19:01 BRT
 

BELO HORIZONTE, 16 de outubro (Reuters) - A declaração de que Marcio Lacerda (PSB) foi preso pela ditadura militar por crime comum e não político causou danos à campanha de Leonardo Quintão (PMDB) à prefeitura de Belo Horizonte.

Líder na pesquisa de intenção de votos no segundo turno, com 18 pontos de vantagem sobre Lacerda, Quintão concentrou os esforços de campanha nesta quinta-feira para se reconciliar com eleitores de esquerda que se solidarizaram com seu adversário.

Quintão dedicou boa parte de seu horário eleitoral no rádio a elogios ao trabalho de ex-prefeitos do PT e do PSB na capital, além de enfatizar o apoio da candidata do PCdoB, derrotada no primeiro turno, Jô Moraes.

"Vou governar com o apoio de Patrus. Vou continuar todos os projetos sociais de Patrus Ananias", afirmou o candidato, referindo-se ao atual ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, que foi prefeito de Belo Horizonte pelo PT, entre 1993 e 1996.

Patrus foi contrário à aliança do prefeito Fernando Pimentel (PT) com o governador Aécio Neves (PSDB) em torno da candidatura de Lacerda, mas não declarou apoio a Quintão, a exemplo de outros petistas insatisfeitos.

Além de Patrus, Quintão também fez vários elogios ao ex-prefeito Célio de Castro, eleito duas vezes pelo PSB e que morreu em julho passado, já filiado ao PT.

A afirmação de Quintão de que Lacerda era preso comum e não prisioneiro político durante o regime militar irritou parte da esquerda mineira e causou indignação até mesmo em opositores àindicação de Lacerda.

"Toda as pessoas que foram de organizações armadas fizeram ações armadas contra a ditadura, mas foram atos políticos. Como em qualquer lugar do mundo onde haja uma ditadura e se façam ações contra ela. São sempre atos políticos", ressaltou o ex-secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda (PT).

Preso durante mais de três anos pelo regime militar, Miranda afirmou que foi contra o apoio do PT a Lacerda, mas discorda do comentário de Quintão. "Não apoiei a indicação de Marcio Lacerda, mas isso transcende a campanha eleitoral. É desconhecimento, porque se refere a um fato histórico", afirmou.   Continuação...