16 de Maio de 2008 / às 20:19 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Apesar de forte disputa, deságio em Jirau deve ser menor

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 16 de maio (Reuters) - Forte competição, mas possivelmente um deságio não muito grande. Este é o cenário que analistas projetam para o leilão da usina hidrelétrica de Jirau, a segunda do complexo do rio Madeira (RO), previsto para acontecer na segunda-feira, às 14h.

Sem favoritos, por se tratarem de dois consórcios fortes, a expectativa é de que a diferença das propostas seja pequena e possivelmente o leilão seja decidido em viva voz, o que acontecerá se a diferença entre as propostas no sistema eletrônico for menor que 5 por cento.

De um lado, o consórcio vencedor do leilão anterior, da usina de Santo Antônio, formado por Furnas, Odebrecht, Cemig CMIG5.SA e fundos de investimento. De outro, os dois consórcios derrotados reunidos em um único grupo, controlado pela Suez Energy (antiga Tractebel), e integrado por duas estatais --Eletrosul e Chesf-- e a Camargo Corrêa.

Para o coordenador do grupo de estudos de energia elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde de Castro, desde a realização do primeiro leilão do complexo do rio Madeira, no final do ano passado, o cenário econômico mudou e os consórcios têm mais respaldo para propostas agressivas.

"De Santo Antonio para cá, dois fatos importantes aconteceram: o 'investment grade' e a nova política industrial. Ambos afetam o custo de capital da obra", avaliou Castro. A usina de Jirau tem valor estimado em 8,7 bilhões de reais.

Ele destacou também que a política de desenvolvimento produtivo lançada esta semana pelo governo reduziu o custo dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com queda da taxa de intermediação financeira de 0,8 para 0,5 por cento.

"Imagino que as equipes dos dois grupos estão trabalhando bastante para incorporar a nova visão de custo no maior deságio possível", afirmou.

DESÁGIO DE 10%

O leilão da usina de Santo Antonio, realizado em dezembro de 2007, obteve deságio de 35 por cento sobre o preço mínimo de 112,4 reais o megawatt hora, para 78,90 reais o MWh. Na avaliação de Castro, nesse leilão o deságio sobre o preço mínimo de 91 reais o MWh deve ser de no máximo 10 por cento.

Para ter um parâmetro do preço que irá praticar na segunda-feira, o consórcio da Suez Energy (Energia Sustentável do Brasil) realiza nesta sexta-feira leilão para venda antecipada de 30 por cento da energia de Jirau, condicionada à vitória do grupo, cujo resultado será divulgado na terça.

"Isto dá vantagem para o grupo da Suez, que vai saber até quanto poderá descer o preço mantendo a viabilidade do projeto", disse o consultor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, Adriano Pires, que considera irreal a tarifa vencedora do primeiro leilão --"até hoje não entendo como vão construir a usina a esse preço"-- e espera preço maior em Jirau.

"Mas para mim Odebrecht continua favorita... tem toda uma economia de escala por já ter comprado Santo Antonio", explicou.

Apostar em um vencedor nem passa pela cabeça do analista do Banif Vicente Koki. "É uma das perguntas mais difíceis de responder, a gente tem que lembrar que quem fez todo o projeto foi Odebrecht e Furnas, e tem mais sinergia com Santo Antonio, mas tem que ver até onde o outro consórcio vai", disse Koki.

Para Castro, da UFRJ, o leilão antecipado da Suez traz vantagem para o consórcio, assim como os adversários são ajudados pela Cemig.

"A Cemig foi fator decisivo para a vitória em Santo Antônio, porque na área de concessão dela existem os maiores consumidores livres e ela conhece bem o mercado, mas agora a Tractebel (Suez) também vai ter essa vantagem", explicou.

Para ele, a Suez vai jogar pesado porque, como maior geradora privada do país, precisa ter uma posição na Amazônia, onde serão feitos os próximos empreendimentos hidrelétricos daqui para frente. Ele argumentou ainda que por ter vencido Santo Antonio, obra de 9,5 bilhões de reais, o grupo Furnas/Odebrecht não teria força financeira para reduzir muito a tarifa.

Já Adriano Pires avalia que justamente por ter feito um lance muito baixo para a primeira usina, o consórcio Furnas/Odebrecht vai se esforçar para ganhar a segunda usina, como forma de compensar as perdas que terão com a primeira.

"Nesse caso a Odebrecht vai tentar ganhar com um preço um pouco maior em Jirau para fazer um mix e compensar Santo Antonio", concluiu.

Edição de Marcelo Teixeira

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