ANÁLISE-Apesar de forte disputa, deságio em Jirau deve ser menor

sexta-feira, 16 de maio de 2008 17:17 BRT
 

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO, 16 de maio (Reuters) - Forte competição, mas possivelmente um deságio não muito grande. Este é o cenário que analistas projetam para o leilão da usina hidrelétrica de Jirau, a segunda do complexo do rio Madeira (RO), previsto para acontecer na segunda-feira, às 14h.

Sem favoritos, por se tratarem de dois consórcios fortes, a expectativa é de que a diferença das propostas seja pequena e possivelmente o leilão seja decidido em viva voz, o que acontecerá se a diferença entre as propostas no sistema eletrônico for menor que 5 por cento.

De um lado, o consórcio vencedor do leilão anterior, da usina de Santo Antônio, formado por Furnas, Odebrecht, Cemig CMIG5.SA e fundos de investimento. De outro, os dois consórcios derrotados reunidos em um único grupo, controlado pela Suez Energy (antiga Tractebel), e integrado por duas estatais --Eletrosul e Chesf-- e a Camargo Corrêa.

Para o coordenador do grupo de estudos de energia elétrica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde de Castro, desde a realização do primeiro leilão do complexo do rio Madeira, no final do ano passado, o cenário econômico mudou e os consórcios têm mais respaldo para propostas agressivas.

"De Santo Antonio para cá, dois fatos importantes aconteceram: o 'investment grade' e a nova política industrial. Ambos afetam o custo de capital da obra", avaliou Castro. A usina de Jirau tem valor estimado em 8,7 bilhões de reais.

Ele destacou também que a política de desenvolvimento produtivo lançada esta semana pelo governo reduziu o custo dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com queda da taxa de intermediação financeira de 0,8 para 0,5 por cento.

"Imagino que as equipes dos dois grupos estão trabalhando bastante para incorporar a nova visão de custo no maior deságio possível", afirmou.

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