PM e policiais civis se enfrentam em SP; Serra vê jogo eleitoral

quinta-feira, 16 de outubro de 2008 20:32 BRT
 

SÃO PAULO, 16 de outubro (Reuters) - Policiais civis em greve entraram em confronto com tropas da Polícia Militar nesta quinta-feira em São Paulo nas imediações do Palácio dos Bandeirantes. Para o governador paulista, José Serra (PSDB), houve uso político-eleitoral da manifestação.

Em greve há 31 dias, os policiais civis foram barrados pela PM em sua marcha rumo ao palácio e o conflito se generalizou, com o uso de cavalaria e bombas de gás lacrimogênio. Os relatos dão conta de mais de 20 feridos.

"Nesta manifestação estão mil pessoas. A polícia civil tem em torno de 35 mil efetivos, portanto, trata-se de uma minoria, mais ainda porque nem todos que estão na manifestação são da polícia civil. Você tem CUT, Força Sindical, outros sindicatos, partidos políticos envolvidos, inclusive deputados de outros partidos chamando para a manifestação e agitando com uso claramente político-eleitoral", disse Serra a emissoras de televisão.

O governador afirmou que as negociações com os policiais civis não foram interrompidas em nenhum momento e que o governo tem limitações de recursos, principalmente nesse momento de crise financeira global. Embora reconhecendo as reivindicações como legítimas, Serra condenou a atitude dos policiais.

"A maneira de fazer reivindicação não é a de pegar armas que estão destinadas ao enfrentamento de bandido... o movimento enquanto movimento armado é absolutamente ilegal", enfatizou.

O PT soltou nota de resposta a Serra acusando o governador de ter perdido o controle sobre a segurança pública em São Paulo. "Ele ganhou o governo com perspectiva de melhorar salários....e o que ele fez foi trair as promessas...e agora diante de um movimento que é legítimo, tenta tirar o corpo fora e politizar a questão", afirmou o presidente do PT em São Paulo, José Américo Dias.

A CUT atribuiu o enfrentamento à postura do governador e do secretário estadual de segurança, "que por pouco não provocaram mortes", disse o secretário geral da organização, Adi dos Santos Lima.

Segundo o dirigente da CUT, em nota postada no site da central, os policiais civis se aproximavam do Palácio dos Bandeirantes e se depararam com "cerca de dois mil policiais militares e uma tropa de choque armada até os dentes, que iniciaram uma verdadeira guerra".

A Força Sindical, em nota assinada por seu presidente Paulo Pereira da Silva, condenou o que chamou de "truculência" do governador Serra contra policiais civis.   Continuação...