23 de Outubro de 2007 / às 03:28 / 10 anos atrás

Pressão ao consumidor causa descolamento entre índices de preços

Por Vanessa Stelzer

SÃO PAULO (Reuters) - Os alimentos agrícolas vêm finalmente diminuindo a alta tanto no atacado como no varejo, mas pressões ao consumidor estão causando um descasamento entre os índices de inflação.

Analistas avaliam que também há um repasse de preços das altas recentes do atacado para o varejo, mas esse movimento é pequeno.

Dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) desta terça-feira mostraram que o Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) --formado sobretudo pelos custos no atacado-- avançou 1,07 por cento em outubro, ante alta de 1,47 por cento em setembro. Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) subiu 0,37 por cento na segunda leitura do mês, ante 0,34 por cento na primeira.

"No varejo, você começa a ter menos fatores baixistas. Há o fim da deflação do vestuário, com a troca da coleção, e há a perda do impacto da queda dos preços do álcool", disse Sandra Utsumi, economista-chefe do Bes Investimento.

Esses são itens que têm mais peso no varejo que no atacado, o que ajuda a explicar a trajetória dos índices ao consumidor neste momento.

Os preços do grupo Alimentação no IPC-S desaceleraram a alta, para 0,84 por cento, enquanto os de Vestuário subiram em ritmo maior, em 1,57 por cento, e os de Transportes tiveram uma queda menor.

Flávio Serrano, economista-chefe da López León Markets, acredita que os IGPs continuarão em desaceleração até o final do mês, tendência contrária à prevista para os IPCs.

"Se a tendência se mantiver, o IGP-M fica mais baixo que em setembro e o IGP-DI acaba o mês em 0,50 por cento. Alguns produtos com peso no IGP, como milho, estão perdendo força", previu.

O IGP-10 encerrou em outubro quatro meses de alta. O IGP-M também subiu por quatro meses até setembro e o IGP-DI registrou no mês passado a primeira desaceleração em meses.

Sandra Utsumi estima uma aceleração dos índices no varejo neste mês em relação ao anterior.

Para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), por exemplo, ela espera uma elevação de 0,35 por cento outubro, contra a de 0,18 por cento em setembro.

O patamar de 0,30 por cento deve se repetir nos dois últimos meses do ano, na previsão da analista.

REPASSES

Sandra acredita que possa haver um repasse do avanço recente do atacado para o varejo no final de 2007, mas aposta mesmo que isso vá ocorrer em 2008.

"O choque da alta passada dos IGPs vem mais para frente, nos preços administrados que serão reajustados no ano que vem. Mas vamos ver no final do ano, época de maior consumo, se o varejo encontra espaço para aumentar as margens de lucro e elevar preços", disse ela.

Neste ano, o reajuste da energia elétrica foi negativo em São Paulo e o reajuste do telefone fixo teve uma pequena alta.

Serrano, da López, disse que um certo repasse já está ocorrendo, mas de forma discreta.

Exemplos disso são a alta da soja no atacado se refletindo em aumentos do óleo de soja no varejo, e o avanço da farinha no atacado sendo sentido no preço do pão francês para o consumidor.

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