CÂMBIO-Dólar recua com fluxo e otimismo sobre novo upgrade

sexta-feira, 16 de maio de 2008 10:52 BRT
 

SÃO PAULO, 16 de maio (Reuters) - O dólar caía abaixo de 1,65 real nesta sexta-feira, aproximando-se dos menores níveis em nove anos com a entrada de recursos no país, a menor aversão a risco no exterior e a expectativa de que o Brasil receba o grau de investimento de uma outra agência.

Às 10h52, a moeda norte-americana BRBY operava em baixa de 0,30 por cento, a 1,650 real. Na mínima do dia, a moeda chegou a ser cotada a 1,646 real.

"Tem uma entrada grande de dólares no mercado", disse um operador de câmbio de uma corretora nacional, que preferiu não ser identificado. Ele estima que a operação, de origem financeira, tenha volume próximo a 300 milhões de dólares.

O fluxo positivo de câmbio é um dos principais fatores para o ciclo de valorização do real, que não foi interrompido pela recente crise no mercado internacional. Os números mais recentes do Banco Central apontam que o país já recebeu mais de 15 bilhões de dólares em 2008.

O grau de investimento concedido pela agência Standard & Poor's no final de abril trouxe a expectativa de um aumento no ingresso de recursos no país. Essa projeção tem ganhado força com a aposta de muitos agentes de que o Brasil receberá, em breve, a mesma promoção pela agência Fitch.

"O mercado tem duas expectativas. De continuar o aumento do juro (pelo Banco Central) e também de vir um upgrade da Fitch", disse Francisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez. "O dólar pode vir a testar 1,62, 1,63 (real) até o final do mês", projetou.

A oferta maior de dólares tem sido absorvida pelos bancos, e não pelos leilões de compra do Banco Central, como ocorria no ano passado.

O estoque maior de moeda estrangeira na mão das instituições financeiras pode trazer resistência à valorização do real, segundo algumas análises, mas um operador de um grande banco internacional acredita que isso não deve barrar a busca de novos patamares para o dólar. "O mercado já fala em 1,60 (real) no final do mês", disse.

Os agentes, porém, ainda monitoram com cautela a formação do fundo soberano nacional. A compra de dólares pelo governo para compor o fundo deve aumentar a demanda de forma pontual, enxugando parte do excedente no mercado, avaliam os agentes.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Vanessa Stelzer)