June 16, 2008 / 2:31 PM / 9 years ago

Combate à inflação é prioridade, diz Lula a investidor

5 Min, DE LEITURA

Por Carmen Munari e Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - O combate à inflação permanece à frente das preocupações do governo brasileiro, afirmou nesta segunda-feira o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a investidores nacionais. Ele também cobrou o comprometimento da sociedade nesta luta e responsabilizou a alta do petróleo e o maior consumo dos alimentos pelo aumento de preços.

"O controle da inflação continuará sendo prioridade do meu governo. Temos instrumentos, conhecimento e experiência suficientes para enfrentar com êxito este que é nosso maior desafio econômico de curto prazo", disse Lula durante cerimônia realizada na sede da BM&F Bovespa para comemorar a obtenção do grau de investimento pela economia do país em abril.

No discurso, o presidente disse que é preciso evitar que aumentos temporários de preços se tornem permanentes.

"Os sucessos recentes aumentaram ainda mais nossa responsabilidade, sobretudo em um momento em que a economia mundial vive um período de grandes choques e incertezas", admitiu.

Ele apontou a elevação dos preços do petróleo (que chamou de terceiro choque do petróleo), a maior demanda mundial, o encarecimento dos fertilizantes, as condições climáticas e a especulação como fatores que tiveram impacto nos preços. Indicou ainda medidas tomadas pelo governo para tentar conter a alta, entre elas a elevação temporária da meta de superávit fiscal, anunciada em maio, o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o crédito e facilidades para a importação de trigo.

Os índices de inflação no Brasil têm avançado nos últimos meses de forma consistente. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), registrou alta de 0,79 por cento, o maior avanço para meses de maio desde 1996. Em 12 meses, a alta foi de 5,58 por cento, mais de um ponto percentual acima do centro da meta de inflação fixada para 2008.

Ao mesmo tempo em que reafirmou o compromisso de combater a alta dos preços, o presidente disse que esta determinação será feita sem comprometer a taxa de crescimento da economia.

"Vamos controlar a inflação, mas mantendo o crescimento sustentável", disse o presidente, que trabalha com a hipótese de que o país terá dez anos de crescimento sustentável, "para que a gente possa recuperar todos os males que os 20 anos de não crescimento causaram ao nosso país".

No primeiro trimestre do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,7 por cento em relação aos três últimos meses de 2007. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a expansão foi de 5,8 por cento.

As declarações foram semelhantes ao que o presidente havia dito mais cedo, durante seu programa semanal de rádio.

Lula afirmou durante o programa "Café com o Presidente" que os "números mais equilibrados" da economia ajudam a combater a inflação no país.

BONÉ E GENTILEZAS

Houve troca de gentilezas entre o presidente, outros integrantes do governo e representantes do mercado financeiro.

Lula disse que assim como coloca bonés dados por entidades sindicais, de sem-terra e do movimento GLBT (gays, lésbicas, bisexuais e transexuais), também usa o que ganhou da Bovespa.

"O governo de Lula deu contribuição decisiva para a estabilidade econômica. Hoje somos gente grande", disse Gilberto Mifano, presidente da conselho da BM&F Bovespa.

Coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmar que quando o presidente Lula assumiu o governo, ninguém poderia imaginar que o Brasil alcançaria o grau de investimento.

"Não nos passava pela cabeça". Destacou que a economia, que crescia 2,5 por cento ao ano, passou para um patamar de 5 por cento. "Isso não teria sido possível sem a colaboração do mercado de capitais."

As ofertas públicas de ações de empresas passaram de 52 bilhões de reais em 2002 para 147 bilhões de reais no ano passado, relatou o ministro.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também presente à homenagem, disse que o bom desempenho do mercado de capitais é produto da estabilidade da economia.

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