16 de Março de 2008 / às 21:10 / 9 anos atrás

Laços entre UE e EUA devem estacionar até o próximo ano

Por Paul Taylor

BRUXELAS (Reuters) - As relações entre a Europa e os Estados Unidos se recuperaram do trauma da guerra no Iraque, mas ainda estão fortemente restritas em gerir crises até que a nova administração norte-americana assuma o poder, dizem especialistas.

Washington e as nações européias se juntaram para abrandar as crises nos mercados financeiros mundiais e conter conflitos no Oriente Médio, nos Bálcãs e no Afeganistão.

Mas uma ação decisiva sobre assuntos importantes -- que abrangem do Irã até as mudanças climáticas -- é improvável até que um novo presidente assuma a Casa Branca em janeiro próximo, afirmam autoridades de governo, líderes financeiros e analistas no fórum anual de Bruxelas neste fim de semana.

"O relacionamento transatlântico apertou o botão de pausa", afirmou Craig Kennedy, presidente do Fundo Marshall Alemão, principal organizador do fórum de líderes políticos e financeiros de ambos os lados do Atlântico.

"Sem o engajamento dos Estados Unidos, é muito difícil seguir em frente", afirmou o chefe de política externa da União Européia, Javier Solana, sobre os hesitantes esforços para a paz no Oriente Médio.

Em um lampejo da frustração européia com o presidente George W. Bush, Solana afirmou esperar que o próximo presidente esteja pronto para trabalhar rapidamente com a UE em assuntos que vão das tensões com o Irã e o conflito entre israelenses e palestinos até o diálogo com a Rússia e o combate ao aquecimento global.

"Não queremos esperar muito tempo e desperdiçar um ano, um ano e meio, dois anos depois de termos desperdiçado os primeiros quatro anos desta administração", acrescentou.

Um encontro da Otan no próximo mês e uma visita ao Oriente Médio em maio são vistos como as últimas chances de Bush de deixar um legado, mas nenhuma dessas oportunidades deve produzir mudanças profundas.

QUAL É O PONTO?

A Otan deve receber um novo e modesto grupo de membros dos Bálcãs: Croácia, Albânia e Macedônia, provocando uma turbulência com a Grécia sobre a inclusão do país no grupo.

Mas a Alemanha e outros aliados do Leste Europeu estão resistindo à pressão norte-americana para colocar Ucrânia e Geórgia em uma posição de preparação para se unir ao grupo, em parte para evitar a ira do presidente-eleito da Rússia, Dmitry Medvedev.

"Qual é o ponto em insistir neste ano para dar (um plano de ação para inclusão) à Ucrânia e à Geórgia?", questionou Volker Stanzel, representante do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. "Não seria melhor tentar descobrir como resolver por exemplo os conflitos com a nova administração da Rússia?", afirmou.

A próxima grande mudança nas relações do Atlântico Norte -- o retorno da França ao comando militar da Otan, que o país deixou em 1966 -- só deve acontecer no próximo ano e com um novo presidente nos Estados Unidos.

A violência no Oriente Médio, a construção de novos assentamentos israelenses e a fraqueza dos governos de Israel e da Palestina tornaram improvável a concretização do objetivo de Bush de criar um estado palestino até o fim deste ano, informaram os representantes em sessões fechadas.

Autoridades européias estão esperançosas de que os três candidatos remanescentes à Casa Branca, John McCain, Hillary Clinton e Barack Obama, estejam comprometidos em procurar o entendimento internacional para diminuir as emissões de gases causadores do efeito estufa, algo que a administração Bush se opôs obstinadamente. As negociações sobre o clima foram ainda mais complexas do que as conversas sobre comércio.

Na sua maioria, as conversas transatlânticas que duraram três dias foram construtivas e, por vezes, acaloradas. As grandes diferenças abertas nos primeiros anos da administração Bush, principalmente devido à guerra no Iraque e à "Guerra Contra o Terror", diminuíram.

Mas o ex-embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Richard Holbrooke, mostrou um lampejo de ira quando perguntado se o Ocidente como um todo, e os Estados Unidos em particular, eram marcas danificadas e cuja autoridade está em declínio.

"Se você quiser falar sobre o declínio do Ocidente, você pode, mas isso é polêmica jornalística", disse.

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