16 de Janeiro de 2008 / às 14:00 / 10 anos atrás

Vale diz que entrega de minério à China foi adiada

Por Nao Nakanishi e Alfred Cang

HONG KONG/XANGAI (Reuters) - A Vale informou nesta quarta-feira que entregas de minério de ferro à China foram adiadas e não canceladas, como disseram traders do mercado asiático mais cedo.

Segundo os traders, a empresa cancelou as entregas de aproximadamente 5 milhões de toneladas previstas para o primeiro trimestre do ano chinês, provocando uma queda nas taxas de frete, mas dando suporte às cotações da commodity no mercado à vista, em meio às negociações sobre os preços contratados.

De acordo com a Vale, as entregas foram "apenas postergadas", devido a problemas em dois portos brasileiros, em Itaguaí (RJ), onde dois de três dolphins tiveram suas estruturas danificadas por navios e estão em reparos por 30 dias, e em Guaíba (RJ), por problemas em equipamentos.

"De uma maneira geral, temos muitos navios esperando na fila e, por isso, estamos postergando a nominação de navios para normalizar a situação", disse a Vale em nota, sem informar o prazo para o retorno dos embarques.

As siderúrgicas chinesas estão avançando o mais lentamente possível nas negociações neste ano, esperando que um cenário econômico mundial enfraquecido possa abater a busca por preços mais altos do minério de ferro por parte dos fornecedores.

A Vale, a BHP Billiton e a Rio Tinto argumentam que problemas no fornecimento --como o acidente ocorrido em um porto no mês passado-- e o congestionamento nos portos que forçaram a Vale a cancelar os embarques provam que os fornecedores estão tendo dificuldades para atender a demanda.

"Os dois lados nem chegaram à etapa de negociação dos preços. Ainda estamos discutindo os pontos de vista sobre a demanda", disse Wang Liqun, diretor de aquisição de matérias-primas do Baosteel Group, que conduz a negociação em nome das siderúrgicas chinesas.

A Baosteel e as mineradoras encerraram a primeira rodada de negociações, processo que tradicionalmente termina quando qualquer siderúrgica importante da Ásia ou da Europa chega a um acordo com qualquer uma das mineradoras. Os preços subiram nos últimos três anos graças à demanda chinesa.

A posição chinesa é enfraquecida pelas cotações altas no mercado de pronta-entrega e pelo desejo de ser o primeiro país a fechar um acordo, como fizeram no ano passado, já que possuem a maior indústria siderúrgica do mundo.

O preço do minério de ferro indiano, de qualidade média, recuou para aproximadamente 190 dólares a tonelada, ante mais de 200 dólares nas últimas semanas, após Pequim ter reduzido a oferta de crédito e os custos altos terem forçado alguns pequenos produtores a fechar as portas. No entanto, os preços no mercado de entrega imediata ainda são duas vezes mais altos do que os preços dos acordos.

Fontes da indústria na Austrália disseram qie a Vale propôs um aumento de 70 por cento sobre os preços contratados atualmente, mas autoridades da Vale no Brasil se recusaram a confirmar este número.

CANCELAMENTOS

Segundo os traders, a Vale cancelou 30 carregamentos de minério de ferro para a China com embarque previsto para o primeiro trimestre de 2008 e atrasará outros 20 carregamentos agendados para fevereiro, numa tentativa de contornar o congestionamento dos portos após um acidente no terminal de Itaguaí em dezembro.

As siderúrgicas afetadas dizem que os estoques disponíveis nas empresas e nos portos possibilita solucionar o problema da escassez com facilidade. A China importou aproximadamente 100 milhões de toneladas de minério de ferro no quarto trimestre.

No entanto, a suspensão das entregas pode oferecer suporte ao mercado à vista após o Ano Novo Lunar na China, que começa em 7 de fevereiro.

"O problema é que não haverá muitos carregamentos em fevereiro. O que vai acontecer em março?", disse um trader em Pequim.

As mineradoras argumentam que, apesar de elevarem a produção, têm dificuldades para atender a demanda. Um ciclone ocorrido no Ano Novo obrigou a paralisação das atividades em portos da Austrália Ocidental por 30 horas, segundo a Rio Tinto.

"As negociações de preço não vão muito bem. No Brasil, houve problemas com os portos, mas os agentes de carga também não estão preocupados em atrasar os carregamentos", afirmou um executivo do setor de cargas em Tóquio. "Os problemas portuários são uma boa desculpa, na minha opinião."

Reportagem adicional de James Thornhill em Sydney e Denise Luna no Rio de Janeiro

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