Siderúrgicas da China reclamam contra exigência de preço da Vale

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 08:02 BRT
 

Por Lucy Hornby

PEQUIM (Reuters) - A associação da indústria siderúrgica da China enviou formalmente uma carta à Vale com reclamação contra à demanda da mineradora brasileira de cobrar preço mais alto pelo minério de ferro. O envio da carta aconteceu apesar da posição da Vale parecer mais branda.

Em carta aberta obtida pela Reuters, a associação pediu para a Vale parar imediatamente de pressionar por um aumento de preços, atitude considerada pela associação como "irracional". A entidade acrescentou que as ações da Vale "ferem os interesses de longo prazo de ambos os lados".

"A quebra unilateral de contrato pela Vale viola regras de comércio internacional e devasta o mecanismo de negociação de preços de minério de ferro", afirma a carta.

A ação da Vale também causa "enormes e irrevogáveis perdas para as usinas siderúrgicas chinesas", enquanto prejudica relações estabelecidas de comércio de minério de ferro entre a China e o Brasil, afirma a associação, que pediu ainda que a mineradora brasileira retorne ao tradicional sistema de negociação de preços.

A Vale demandou a seus clientes asiáticos pagamento cerca de 12 a 13 por cento maior pelo minério de ferro sob os termos de contratos de 2008, para trazer seus preços FOB em linha com os pagos por usinas siderúrgicas européias.

Entretanto, a Vale ofereceu a seus maiores clientes um desconto sobre o aumento, enquanto continua exigindo que usinas menores paguem a quantia adicional total, disse uma fonte da indústria.

As siderúrgicas chinesas se reuniram na sede da associação na última semana, mas não chegaram a uma clara estratégia para se opor ao aumento da Vale.

Mas enquanto elas se encontravam, a Vale parece ter recuado de sua demanda original. O presidente-executivo da companhia brasileira, Roger Agnelli, disse a jornalistas na semana passada que o aumento de preços buscado pela empresa era "para o próximo ano", apesar de emails recebidos pelas siderúrgicas chinesas tenham afirmado que os novos preços seriam efetivos a partir de 1o de setembro.   Continuação...