July 17, 2008 / 2:51 PM / 9 years ago

Greve da Fup faz PETROBRAS acionar mais um plano de contingência

4 Min, DE LEITURA

Por Denise Luna

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras informou que a greve de 48h da Federação Única dos Petroleiros (Fup), iniciada nesta quinta-feira, não está afetando a produção nem o refino da companhia, já que um plano de contingência acionado na noite de quarta-feira está garantindo o funcionamento normal das unidades.

A Fup anunciou na terça-feira que iria promover uma greve de dois dias antes de um movimento maior que está sendo programado para o dia 5 de agosto, e previsto para durar cinco dias e reduzir a produção de petróleo e gás natural da Petrobras.

"Está tudo normal, os empregados da Petrobras sabem que não é possível nem seguro desligar uma refinaria", disse um assessor da Petrobras, sem dar detalhes sobre o plano.

De acordo com a assessoria da Fup, algumas unidades deixaram de fazer a troca de turno, como as refinarias de Manaus e Minas Gerais, e o Terminal de Cabiúnas, no Estado do Rio de Janeiro, que recebe gás natural e petróleo da bacia de Campos, maior região petrolífera brasileira.

"Os trabalhadores que sairiam às 15h de ontem (quarta-feira) continuam lá dentro", disse a assessora da Fup.

Em outros locais como a Refinaria de Paulínia, em Campinas (SP), a maior do país, também houve corte de rendição, ou seja, quem iria sair à meia-noite não deixou o local de trabalho, segundo a assessora da Fup. O mesmo ocorreu em uma unidade de produção em terra, na Bahia, e no terminal de Barueri, em São Paulo.

"A fábrica de fertilizantes da Bahia (Fefen) também vai cortar a rendição amanhã (sexta-feira)", disse a assessora.

Outras importantes refinarias como a do Rio de Janeiro, em Duque de Caxias (Reduc), na Bahia (Relam), São Paulo (Recap), e no Paraná (Repar), o terminal de São Caetano, em São Paulo, e algumas áreas de produção no Espírito Santo estão atrasando os turnos e não emitindo permissões de trabalho, "que é o mesmo do que não estar trabalhando", explicou.

"A greve continua e vamos fazer um ato hoje (quinta-feira) na sede da Petrobras em São Paulo", afirmou a assessora.

Ela informou ainda que as assembléias necessárias para aprovação do indicativo de greve de cinco dias da Fup estão sendo antecipadas em alguns Estados, e que a tendência é de que a parada seja aprovada.

"O objetivo desta greve de 48h não é parar a produção, mas a greve maior na próxima semana tem esse objetivo", disse a assessora.

A greve de 48h da Fup acontece ao mesmo tempo em que o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense entram no quarto dia de uma frustrada tentativa de paralisação da produção na bacia de Campos, produtora de 80 por cento dos 1,8 milhão de barris diários da estatal.

Apenas na segunda-feira, primeiro dia da greve, o movimento conseguiu reduzir em 136 mil barris da produção da companhia, mas que foi praticamente normalizada no mesmo dia e agora opera com cem por cento da sua capacidade, de cerca de 1,5 milhão de barris diários.

Os petroleiros da bacia de Campos querem que a empresa considere o dia do desembarque das plataformas como dia de trabalho, e não de folga como hoje. Já a Fup luta pela maior participação nos lucros da Petrobras.

Na quarta-feira, uma reunião entre os petroleiros e a Petrobras não teve avanço, e a greve foi mantida até sexta-feira.

As paralisações ocorrem próximas à negociação do dissídio da categoria, em setembro.

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