JURO-Crise externa contamina mercado local e DIs fecham em alta

quarta-feira, 17 de setembro de 2008 16:10 BRT
 

Por Silvio Cascione

SÃO PAULO, 17 de setembro (Reuters) - Os juros futuros terminaram a quarta-feira em forte alta na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), refletindo o desmonte de posições no mercado em meio ao aprofundamento da tensão global.

O volume de operações foi maior que na sessão anterior. O Depósito Interfinanceiro (DI) janeiro de 2010, com quase 500 mil contratos negociados, subiu de 14,63 para 14,85 por cento ao ano. O DI janeiro de 2012, com volume de mais de 250 mil contratos, disparou de 14,37 para 14,80 por cento.

O terremoto financeiro ganhou força mesmo com o socorro de 85 bilhões de dólares do Federal Reserve à seguradora AIG (AIG.N: Cotações). Por causa da desconfiança dos bancos para conceder empréstimos entre si, as taxas de juro de curto prazo subiram em vários países e obrigaram alguns bancos centrais a despejar recursos no mercado.

O nervosismo contaminou o mercado local. Com o dólar no maior nível em um ano e a queda generalizada das bolsas de valores, muitos investidores desmontaram posições e estimularam a alta das projeções de juros.

Segundo Gerson de Nobrega, gerente da tesouraria do Banco Alfa de Investimento, os agentes deixaram em segundo plano os fundamentos da economia e, em muitos casos, zeraram posições automaticamente quando as taxas atingiam pontos predeterminados ("stop loss").

Nesse cenário, acrescentou Nobrega, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) mantém-se importante. O mercado quer saber qual a postura do Banco Central em relação à crise global e ao cenário de inflação mais ameno no país.

A ata será divulgada às 8h30 desta quinta-feira. Na última reunião, o Copom elevou o juro em 0,75 ponto percentual, mas o placar apertado foi visto por economistas como inclinação do Banco Central a diminuir a velocidade do aperto monetário.

No começo da sessão, o BC recolheu 70,648 bilhões de reais no mercado aberto para controlar a liquidez do sistema financeiro --ao contrário de outros BCs pelo mundo, que têm oferecido recursos. A operação teve prazo de 1 dia, com remuneração de 13,67 por cento ao ano.

(Edição de Daniela Machado)